BR Jabá

27 julho, 2006

(ouvir lendo / ler ouvindo)

BR JABÁ

Brasil, país dos trópicos
Das bananas trôpegas
Pileque americano
Brasil das muitas leis
(uma para cada cara)
Cidades de deus
De votos benzidos à bala
Rosário cafuzo
Panças de lama
Cólicas federais
Vamos comer a fome
Numa feijoada mística
Em cadeia nacional

Brasil, foco do caos
Desordem e progresso
O país do futuro próspero
Corrompido no seu presente
E pedagiado em peso no passado

Brasil,
Somos teus filhos varonis
Picaços, rolando nas gostosas
Tantas boas coisas dessa vida
Que a assim ser
Nós, cascudeanos rudes
Manjando tiquin? de inglês
No elevado dos morros
Ou no baixio das marés
Seja no eito dos juremais
Vamos pingando uma de cana
Para adormentar as rosetas de arame

.:iXi:. – página pessoal

Flip – Flap

25 julho, 2006

dos trabalhos mais significativos que a cidade vem procurando fazer ? no que concerne à humanização de uma metrópole tão loucamente e barbaramente assídua no noticiário policial ? um deles acontece num endereço da Av Paulista que atende pelo singelo nome de Casa das Rosas.
até há pouco espaço destinado às Artes Plásticas, após breve e contraditória disputa entre escalões da administração estadual, passou a sediar em 2005 uma parcela do que há de mais notável na literatura poética feita em Sampa. gerida por um poeta notável: Frederico Barbosa, também têm sido notáveis as ações que encadeiam-se na programação guiada por uma equipe pequena, mas que tem dado belo resultado. é uma alegria ver gente pululando pelas escadas até o jardim ali toda vez que vou às reuniões do Musiclube.

entre a Casa das Rosas e o Curso de Letras da USP floreceu o projeto Identidade. formado por um bando de interessados em poetizar suas existências, o grupo vem promovendo recitais e um bum de atividades na cena literária atual da capital. prova isso a realização no próximo final de semana da edição da FLAP! 2006, a acontecer no Teatro dos Sátiros, pça Roosevelt ? 146, a partir das dez horas da manhã do sábado. não sei bem se a FLAP é um contraponto à FLIP, mas o certo é que as duas acontecem com proximidade no calendário. e já é a segunda vez, pois também foi assim em 2005.

este ano a Flap também rolou no Rio, fim de semana que passou.

.:ixi:.
página pessoal

Calango e Sol

23 julho, 2006

dois importantes festivais de porte médio estão se projetando a cada ano na atual cena roqueira nacional. sem contar os furos de cada casa, coisa que irrita uma parcela de pessoas que vem acompanhando passo por passo os detalhes de cada estruturação, vamos a eles:

FESTIVAL do SOL (Natal/RN)
Em sua segunda edição, o festival comandado pelo Anderson Foca em terra potiguar abriu com um pontapé sonoro em prévia neste domingo, levando ao palco do seu bar, na Ribeira, uma meia dúzia de bandas que integram a caravana eMeTêVê, para gravarem o programa Banda Antes. Os grupos que se apresentarão durante as 3 datas do primeiro final de semana de agosto são em grande parte do Rio Grande mesmo, alguns que já atuam na cena local há bastante tempo, como o MadDogs, Memória-ROM etc. Outros destaques são o Mundo Livre S.A., que encerram a primeira noite, além de Devotos, Walverdes, Autoramas e Dead Fish. O festival também contará com importante etapa se desenrolando em debates que antecederão as datas musicais.

FESTIVAL CALANGO (Cuiabá/MT)
Já aqui, os calangos estão um pouco mais velhos, sendo a quarta vez que o Espaço Cubo realiza o evento. Também um dos festivais que vêm se destacando no país, a principal façanha da empreitada é a interiorização que os cuiabanos estão alcançando através da estratégia ?fora do eixo?, basicamente a se desvencilharem do pólo Rio-Sampa, mas a copiar-lhe todas as pegadas. Na capital mato-grossense a sonzeira será desatada entre 18 e 20 próximos, no estacionamento de uma universidade local, e terá entre seus participantes a paulistana Ludovic (foto).

.:iXi:.página pessoal

Para os que estão em Sampa …
… ou poderão vir até aqui por esses dias:

Paranapiacaba é uma vila charmosa que está no meio do caminho ferroviário entre São Paulo e Santos, bem no topo da Serra do Mar. É frio, e às vezes mesmo antes da tarde cair, tem início a cerração. É linda também. Seu pouco casario divide-se entre simples pousadas, algumas quitandas e casas de moradores transformadas em albergues ou pequenos restaurantes.

Paranapiacaba sedia entre os municípios da região metropolitana um festival de inverno que vem se destacando entre os que acontecem por aqui. Sua programação é diversificada e convidativa. Entre os destaques desta edição figuram os nomes das belezas vocais de Mônica Salmaso e Vanessa da Mata, além de outros medalhões da mpb.

De 15 a 30.

.:iIXIi:.

Paranapiacaba quer dizer em língua nativa:
lugar de onde se vê o mar.

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sul-deste brasil

18 julho, 2006

abrimos o segundo semestre, para ver como encerra(re)mos
sabemos que não será fácil, temos muito pra resolver
tem lá fora, tem aqui, dentro do apartamento
tem aqui dentro de mim, dentro de nós
todo dia uma nova, e ontem, cheio de sobejos

agora é inverno, faz frio no sul
as chuvas vão começar a cair,
carregando as nuvens pesarosas
que teimam pairantes sobre nossas cabeças
malucas
quase a enlouquecerem a cada hora
eh … vidas cheias de casos e casos
cada um é um, e todos também um
ao fim

chamemos os deuses à nossa volta
precisamos deles para nos aquecer,
para nos acender, nos fazer subir
um pouco mais, mais ainda

as músicas esTão soando altas
costuram emoções, adornam
trilha sonora para o filme vivo
que estamos estrelando agora

Ação!

.:iIXIi:.

página pessoal

página pessoal

10 julho, 2006

estou de volta outra vez ao mormaço brumoso da cidade, seu céu cinza e seu barulho infernal.
lá embaixo as bestas automotivas aceleram durante o dia todo, e mais tarde, na madrugada, as escavadeiras rebentarão o asfalto para os reparos na pista e sinalização.
o dia se abriu, com o sol firme e intenso.
sua força parece nos convidar para estarmos dispostos, prontos a encarar os desafios de hoje com coragem e resignação. se estamos atentos, podemos ler nos sinais da manhã, com uma certa habilidade, suas próprias determinações.
às vezes, ela pode nos trazer a inspiração necessária para levarmos a bom termo o que apenas tínhamos antes em intenções.

vamos-nos!
a hora nos chama para darmos resposta aos seus apelos. ao menos tentaremos realizar algumas tarefas usuais ou, que seja, uma boa ação. e se mesmo nada disso ainda acontecer, estaremos de volta mais tarde a nossas casas (se temos casa) para com o nosso instrumento compormos mais uma canção cheia de beleza e sonho, zelo e amor.
assim, cansados, recostaremos nossas cabeças para um breve repouso, enquanto esperamos o tempo de novo vir nos buscar para um recomeço, abrindo-nos outras chances e alternativas amanhã.

.:iXi:.

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o texto que segue está relacionado ao desabono de R$ 2 mi na Fundação Cultural do Rio Grande do Norte, promovido por uma quadrilha montada com figurantes dos altos escalões do centro da administração estadual.

Como sou mais pela Arte que pelo desastre, fiquei chocado ao descobrir ? após uma breve ausência da cidade ? os (des)caminhos tomados pela administração pública no que se refere à escolha dos gestores de uma política cultural para os padrões do nível de qualidade que as nossas artes vêm alcançando.
Durante anos trabalhando dentro da cena musical potiguar, senti o custo para fazê-la ganhar apreço em Natal dentro do círc(ul)o político que diz representar legítimos direitos. Quais? Ou para quem? O desfalque vergonhoso que falcatruou a principal instância cultural do estado é mais um fato a manchar de indecência o caráter do nosso país em tempos tão fixados pela dissimulação. De uma ponta a outra, revelados pela cada vez mais ágil fiscalização de quem tá ligado, atento ao ato imoral dos que se enquadrilham atrás de saias do poder, vimos desmascarando os ladrões, quase sempre atrelados a figurões dos vários escalões administrativos.
Chegou a nossa vez! Vítimas já éramos. Dessa vez nós somos mais que isso: somos também o Patrulha. Estamos vivos, apesar do frio a correr pela espinha e apesar da ação traíra. Desentocamos. Desabafamos a trôxa escondida e agora que todos viram o que tinha dentro, cobramos a qualidade e o preparo dos ocupantes das posições que forjaram um esquema corrupto para golpear e tapear a administração estadual, ainda por cima a nos ironizar com a ousadia gozada de que presumivelmente é mais fácil fazer alguma negociata entre compadrios do que aprovar um projeto de modo sério na FJA.
Agora, é hora para isso? Por que se vocês acham que que com o que aconteceu não chegou a ocasião para um protesto veemente de nossa parte, tudo bem, deixa que eu assino essa carta sozinho. Mas a meu ver deixar que o estouro de fertilidade que possuímos, nosso imenso patrimônio artístico – do atual ao ancestral, nossos bens sonoros, nossa riqueza plástica, nosso acervo popular, oral ou eletrificado, nossos bens (vejam bem: Nossos Bens), as coisas que representam a gente e nossa raiz histórica, isso tudo, seja usado pelos governos dessa forma, como um suporte para seu discurso escroto e sua pilhagem estatutária … Isso não. Não tá no meu sangue, eu não deixo passar barato.
E aponto para a escaramuça, pois dessa vez nós tiramos as carapuças dos trapaças medíocres que foram escolhidos para gerir a cultura. Os gabinetes estão entupidos com mercenários ao invés de ter em seus postos sujeitos competentes e empenhados em preservar nossas heranças e promover a nossa época. Estão todos encalacrados na poça desse fel obsceno, onde se congratulam, e dividem em reuniões secretas o espólio de seus saques. Os nomes estamparam as manchetes com os abusos cometidos pelos surrupiadores. Os nomes estamparam as manchetes (por isso eu não vou precisar os repetir). Mas na verdade eles constrangem. Não a mim ou aos outros artistas. Na verdade, eles são parâmetros para qualificar o nível do critério utilizado para ratear cargos públicos, no caso aqui ? parece ? entre aqueles que se disponham a pechinchar ardilosas lealdades.
Sempre assim, temos ficado nas mãos sem compostura de dirigentes medíocres, enraizados em práticas quase sempre suspeitas, ataviados por clientes com presentinhos em sedosas almofadas escarlates. Sobra rutilância. As Casas de Cultura foram sendo ostentadas uma a uma para no fim se revelarem um embuste – como foi com a Ribeira, os contratos da fundação são fechados sem transparência, a direção do teatro foi parar no ninho das socialites … minha nossa!
Que brincadeira é essa? Cultura é uma coisa cada vez mais séria, tontos. Precisamos de pessoas sérias também para cuidar dela. Que pelo menos publicam na sua página data, local e hora para prestação de contas aberta ao segmento interessado e ao público em geral (como fez a Funcart). Já a FJA, rodeada de ladinos, não tem criado condições para dar sustentação a obras como a de Chico Antônio, Ferreira Itajubá e Jorge Fernandes, Elino Julião, Cleudo Freire, Abraham Palatnik, Falves Silva, Câmara Cascudo, Roberto do Acordeon, Chico Daniel, Glorinha Oliveira, Nísia Floresta e muitos outros.