I de Outubro

25 setembro, 2006

sítio da campanha Rir Pra Não Chorar

Chegou a Primavera.
Sorridente, acena para a janela dos apês.
O sol brinca feliz nos trópicos, irradiante.
Entramos para a última semana de setembro.
Aguamos os jarros, limpamos os tapetes.
Queremos a casa asseada, com perfume.

Ainda nos sobra algum troco? Quanto?
Juntemos tudo.
Valerá a pena.

Vamos nos preparar para o domingo.
É o dia para uma ocasião especial.
Após o frio incontido do inverno,
Após a acidez das chuvas no verão,
Após as manchetes lamacentas nos jornais
E o sangue que enxurrou os capachos, nos salões
E todas as tramas urdidas nos anexos palacianos …

Puxa! Nada como afinal um dia de trégua
Um dia após a noite sombria do pesadelo
Um dia que se abre, ideal e aguardado
Querido, desejado, esperado …

Quero aproveitar bem
Irei curtir como os mais felizes
Tocar uma canção no fim da tarde
Para celebrar com os que amo

Pois haverá festa
Sim, ainda alguma festa
Por não termos deixado que dessa vez
Enterrassem esse desaponto de esperança …
Que nos resta

Votemos a insistir!

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Dossiê’s 2006

19 setembro, 2006

Praticamente estamos a 10 dias do primeiro turno das eleições de 2006, que será em verdade a ocasião em que mediremos o efeito das novas mídias sobre o comportamento do eleitor brasileiro. Tive que acompanhar com razoável interesse todo o desdobramento disso que vem se chamando até o momento de ?a crise?, obviamente muito motivado por assistir o espetáculo dissimulado da classe política brasileira, constrangida com os episódios mais bizarros e recentes do nosso noticiário diário.
Já que não tô mais nem aí pra essa tradição de velhacos …
Mas em todos os lugares ela vem sendo estampada desde o início de 2005, incorporando novos termos ao jargão dos pregões do plantão informativo, seja em armações de manchetes tendenciosas ou em arapucas especulativas que não estão contribuindo muito para o crescimento de nossa info-cidadania.
Com sucessivos golpes, decrépitos em suas insistentes ofensivas para instabilizar o cenário desfavorável aos seus joguinhos de acertos comissionados, os caciques da nossa auto-intitulada elite (empresários e legisladores, e os patronos da imprensa nativa) vêm procurando manter sua hegemonia majoritária através de desgastadas práticas, arriscando sua já combalida reputação em manobras duvidosas expostas no horário nobre dos jornais nacionais pela lente dos grandes meios corporativos.
Alguns minutos mais tarde e a desfragmentação dos fatos e acontecimentos recentes em debates feitos à luz de distintas óticas da ética já são capazes de apontar novas interpretações sobre os assuntos em pauta, permitindo uma maior discussão envolvendo outros atores sociais no julgamento crítico e avaliativo de tal conduta, seus desdobramentos e conseqüentes.
Estão ferrados. Não dá mais pra segurar. A opinião pública, cacête.
A informação corre agora solta, desatrelando-se da linearidade ideológica da matriz oligárquica que anda a nos assolar o respeito.
Nós, que somos decentes, ainda gostamos disso.
E exigimos.
Quanto a vocês, bando de escrotos, horda de manganos, … vocês irão se estrepar.
Vamos todos ver.

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Hoje é Dia dos Bons

14 setembro, 2006

Hoje é um dia dos bons
Com o sol aberto e brilhante
A nos encorajar para a frente

Hoje é um dia dos bons
Hoje é um dia dos meus

É hoje! Hoje é dia dos bons
Pode ser um dia seu também.
Celebremos então nossa alegria.

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Pátria que Pariu!

7 setembro, 2006

Lembro que tínhamos de nos levantar cedo, pôr o uniforme ? e em meu caso ? dirigir-se até a cidade para encenar junto com os outros estudantes o cerimonial aprendido na marra nas aulas de Educação Moral e Cívica. As cornetas do serviço de alto-falantes da Várzea da Caatinga repetiam à exaustão o rite do dia, o Hino da Independência, escrito pelo nosso primeiro imperador.
Eu estava lá, tarolando minha caixa na banda da escola, vestido a caráter com uma fardinha que os meus pais tinham que gastar uma fortuna para confeccionar, cheia de galochas, polainas, botões dourados e cordões vistosos, um par de sapatos bem lustrosos etc. Me ajudou a paquerar a molequinha mais bonita do meu pelotão.
Mais tarde alguns anos, já rapaz, fui puxado como recruta para ser segurança presidencial do bigode de Sarney, e tive que formar as fileiras das enormes companhias que desfilaram na reta do eixo monumental (como Brasília gosta de chamar suas avenidas) em frente ao quartel general do exército, paramentado como um soldado igualzinho aos que integraram algum batalhão de apoio ao ?brado da independência? que D. Pedro entoou, segundo os historiadores, ao lado do riachinho do Ipiranga em Sampa, após uma caganeira que quase fez o coitado desistir de sua empreitada libertadora ao subir os difíceis caminhos da Serra do Mar, ou no mínimo soltar um gritinho que não é ?aquele? que o Pedro Américo exagera no famoso quadro.
Pois é! Passado tudo isso, estamos às voltas com nosso dia sete de setembro, um frio daqueles por aqui … Encolhido, penso sobre as várias aventuras vividas até agora em função e razão da estimada nossa pátria que nos pariu, que diga respeito aos atos, feitos e sacrifícios pelas suas causas. E você, quanto também já não teve que fazer? Quantas já não foram as mil vezes que fomos afetados de maneira direta pelo núcleo da gerência dos propósitos nem sempre legítimos, quando não usurpadores, dos que se entronam na cúpula do poder, fartando-se com seu apetite voraz do nosso sangue?
Não estou sendo dramático, mas apenas fazendo referência ao estouro escandaloso do perfil de nossos representantes nas cadeiras do congresso nacional, que com sua sanha de vampirismo cravaram outra vez seus dentes sanguessugas em mais uma vergonhosa ação de pouco escrúpulo e nenhuma mostra de dignidade diante dos papéis que a si invocam, respaldados pelo apoio do voto popular.
As lembranças não nos ajudam. Zélia Cardoso confiscou as pupanças no início dos anos 90 (quero dizer: nos roubou mesmo, né?), depois veio o outro Cardoso com uma cartilha estapafúrdia de indecências acobertadas, agora os incêndios estão queimando a carne dos que apregoaram e se dispuseram a reparar os danos de séculos de manchas e nódoas éticas … Eh, quanta desilusão. Quanto cansaço! Estamos estafados, quase a nos desenganar, pois não nos satisfaz mais apenas ganhar as copas do mundo. Queremos respeito pelos nossos propósitos reais de construir um país melhor pros nossos filhos, pelo menos, já que para nós a história vem nos relegando um amargo sabor de decepções, uma atrás da outra.

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Lobão

2 setembro, 2006

imprevisível, a vida de repente me deixou sabendo da vinda do lobo à cidade, para tocar lá nos jardins da Casa das Rosas, lugar agradável-pitoresco da avenida paulista que venho frequentando por algumas boas razões, algumas profissionais entre as quais.
o bicho veio para urrar em alguma armação do ?greenpeace?, segundo a organização, sem cobrar cachê . palquinho modesto, bem bossa (ou quase), solta o som. bom público bom, atmosfera de lual, e tal. ih, rapaz … o som foi uma frangueira, e acabou interferindo na performance do lobo, que com sua violinha deu uma repassada rápida em vários dos seus rites, tocou também músicas novas, deu provas de que pode e sabe ser diplomático ? mas sem deixar de ser irônico, é claro. galhos à parte, foi bom reencontrar esta voz urrante – sobrevivente, insistente, persistente – da nossa mpb, especialmente quando ele mostra em sua fala qual é a do seu ?discurso?, que já ecoa desde os anos 80 e que cada vez ganha mais sentido entre nós:
– o carinha sentado ao meu lado diz que o som está ruim, mas que o shôu pode continuar de qualquer jeito … o lobo retruca ?pode ser de qualquer jeito pôrra nenhuma; nós no Brasil temos de acabar com essa história … ?
sim! era ele mesmo. o próprio. o lobo em pessoa.
claro que não vim falar de sua responsa frente ao rumo que a música independente tomou no fim dos anos 90 na taba tupiniquim, mudança na qual ele teve importante atuação. não cabe. apenas vim registrar mais um uivo por aqui.

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