mad dogs

A Cooperativa da Música Potiguar (COMPOR) fez neste fim de semana um programa musical em que celebrou seus primeiros dois anos em atividade. Tratou-se de uma verdadeira mostra de música, diversificada, rica, profissional, onde apresentei-me ao lado do Mad Dogs no domingo, Nara Costa & Zé Hilton mais Acaci & Grupo Flor de Jitirana no sábado, e na abertura, na sexta, a bela voz de Lysia Condé precedida por seu Ademir Adriano, que trouxe para o palco os amigos Carlos Zens e Pedro Paulo, além de mais alguns outros convidados.

Tal oportunidade para exibir uma parte do elenco artístico da cooperativa foi-nos proporcionado pelo Sebrae-RN, através da parceria que vimos construindo ao longo dessa mais recente organização do segmento musical na capital do estado, além do CCN, o Complexo Cultural de Natal, braço da UERN instalado na estrada da Redinha, onde outrora ficava o temido Caldeirão do Diabo, penitenciária que registra na história policial de Natal casos escabrosos e que renderam muitas manchetes no noticiário popular.

Pois bem. Ocupamos o local com esta programação, que divulgamos em campanha virtual coletiva nas redes sociais, cartazes em locais estratégicos e anúncio em carro de som rodando pelos bairros no entorno do CCN, na Zona Norte da cidade. Com final de semana chuvoso e uma população ainda sem o hábito de acompanhar atrações artísticas que diferem do beabá monocórdico e monossilábico dos grupos de suingueira e congêneres, o público que compareceu foi pequeno em relação às áreas gigantescas oferecidas pelo complexo, porém nenhum dos artistas presentes deixou de mostrar sua arte com empolgação e competência, e os shows foram sensacionais.

No domingo, por exemplo, para o encerramento, às 19h30, foi a vez da banda natalense Mad Dogs mostrar seu exímio domínio artístico, com seus mais de 15 anos de formação, maturados por uma convivência significativa no cenário da noite potiguar, sem contar as tantas experiências fora de casa. Eu, que há muito tempo, não assistia a uma apresentação conjunta desse sexteto, fiquei maravilhado com o privilégio de vê-los em ocasião tão propícia, num palco montado no chão, com boa infraestrutura sonora (a/c Canindé Wagner) e a maestria de um bando de garotões entre seus 40 e 50 aninhos, todos com uma vívida chama acesa pela música que fazem, descontraída, afinada, bem executada e excelente, para terminar com um adjetivo fundamental.

Parabéns ao CBI, a quem a idade trouxe a magnífica constatação de que bons artistas são como bons vinhos (são mais saborosos quanto mais o tempo passa), ao Paulo Sarkis, a quem eu costumo chamar de um baixista essencial, aquele que dá amparo a um duo ou a uma orquestra com a mesma categoria (ou seja, com as notas essenciais: nem faltando, nem sobrando), aos irmãos Suassuna (bateria e guitarra), Zé Marcos (teclados) e ao maestro Neemias (sax), que mesmo tendo chegado após o início da apresentação do grupo tocou tanto que compensou seu atraso.

E enfim, a todos que estivemos juntos nessa, vivendo esses momentos sublimes, coisa que em muitas vezes só a música é capaz de nos fazer sentir … Muito agradeço com o coração a quem contribuiu de forma sincera com sua simples presença, destrancando uma porta, servindo um copo d’água, aplaudindo com entusiasmo as canções expostas, colaborando para que possamos em breve estruturar outras mostras musicais para os lados da zona norte, tão carente de eventos que ofereçam alternativas ao lenga-lenga repeticulóide dos ‘enficas’ da vida.

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