O Som que Vai

26 novembro, 2013

O Som que Vai      (para ilustrar esse texto, música dedicada à Manoca por Lulinha Alencar)

Singelo.

Talvez seja este um bom termo para adjetivar uma pessoa tão querida. A morte de Manoca abalou grande parte da moçada que lida com a música no RN e além destas fronteiras sísmicas. O chão tremeu.

Com sua ida, sem que nunca mais nenhum instrumento possa de novo produzir algum som através de suas mãos, ficam órfãos muitos dos que com ele aprenderam suas primeiras noções teóricas em música.

Assim, essa alma linda, ajudou a construir o conhecimento de dezenas e mais dezenas de estudantes, acadêmicos ou não, harmonizando o mundo e essa esquina continental quente onde habitamos.

Ser iluminado, agora alado, encontra-lo era como sentir a confiança próxima, sem receio de turbulências, sem histrionismos, sem sobressaltos, sem. Parte de sua beleza estava em sua simplicidade.

Ontem, abrir as mensagens que davam conta de sua morte, mais parecia uma dessas troladas a que estamos nos acostumando a ver espalhadas por aqui.

No entanto, tendo sido cumprido o seu destino entre nós, cá permanecemos a enfrentar a hostilidade dos dias, vivos ainda, a desafiar os empecilhos existenciais e a continuar essa marcha trágica que nascemos para cumprir.

Sua expressão mansa será guardada conosco, pelos que contigo aprenderam, pelos que contigo conviveram, dos mais próximos aos mais distantes, pois sua pessoa sempre inspirou serenidade, firmeza e coragem, até o fim.

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SEM VERGONHA COM

22 novembro, 2013

Ivete Sangalo, a baiana, para muitos musa, para mim apenas uma cantante coxuda, deu bela lição de márkete (ou marketing, como os alunos do curso correspondente queiram) em um vídeo hoje correndo o mundo midiático digital onde surrupia de um seu admirador na plateia de um dos seus shows o celular com o qual o carinha tava fotografando a bendita e valiosa xotinha da cantora, que sempre vestida com pouco pano, fez questão de fazer a cena enquanto cantava um dos seus ‘pêra-pará-pumpê’.

Ivete, que possui um belo par de pernas, ganhou o mundo com elas, explorando até não mais poder sua potencialidade, sensualizando sua carreira com muitos rebolados, ousadias descartáveis, firulas escrotas e incontáveis jogadas comerciais insinuantes, agora cismou, assim, duma hora para outra, resolvendo dar uma bronca pública em alguém que ela ‘flagrou’ gravando o que que a baiana tem.

O mais intrigante nisso é que o comportamento de safadinha da vevete mostra que sua atitude não consegue esconder nada do que ela em verdade sempre quis mais foi mostrar, por incrível que não possa aparecer. Se é que dá pra entender …

Tudo bem. Todas as cartilhas dos marqueteiros pregam que a propaganda é a arma do negócio, mas a Sangalo, num ato aparvalhado, dá uma de moralista numa censura confusa que mais parece estimular a curiosidade do que propriamente esconder o seu negócio.

Vai saber… !! A Ivete faz parte de um grupo de artistas que, em geral, fazem de tudo pra aparecer. E a qualquer custo. O que é que ela está tentando esconder? Nada. Nem tem como. Essa aí já abriu há muito tempo suas entranhas para a multidão. Agora vai demorar um bocado até a saia abaixar.

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Lendas do Seridó

19 novembro, 2013

Wescley J. Gama

Wescley J. Gama

Neste ano que finda centenariza-se também o maestro Tonheca Dantas, carnaubense, seridoense, ‘bembem’, artífice de uma obra que saiu das capoeiras de algodão e se consagrou na execução da valsa Royal Cinema pelos salões ocidentais. Várias homenagens estão sendo oferecidas a esta passagem cronológica, com filmes, CDs e louvações póstumas. No entanto, para mim, ter recebido por esses dias o disco (físico) do artista curraisnovensis Wescley J. Gama, de título Seridolendas, é a constatação inconteste de que aquela região do RN engendra sob o sol quente de suas pedras ásperas verdadeiros diamantes, preciosos, secularmente. Presentemente, enquanto festejamos os cem anos do Dantas, exultemos por vir à tona este belíssimo trabalho do seridoense contemporâneo, moderno, vivo e ativo, afirmativo de sua identidade, citando transparentemente sua face, alpendrado num casarão de poesia que soube erguer ao lado de sua parceira, Iara Carvalho, casamento de sensibilidades, de sons e sonhos e poesia e vida.

Este disco expressa uma gênese de beleza que há muito eu não encontrava em algo gravado recentemente. Ele é lindo. Seu frescor inunda os ambientes que toca com uma música puríssima, honesta, verdadeira, nítida e singular.

Nossa! Parabéns a todos que fizeram este trabalho, pois um disco de verdade é como um filme, envolve muita gente.

Afinal um CD para ouvir com a atenção do coração.

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