MEIA CULPA *

7 maio, 2014

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Cada um em seu conceito, não quero dispensar a oportunidade que diversas ações e acontecimentos, ou ainda mais a ausência destes vem gerando para nós que fazemos música nesse estado e mais especificamente em Natal, com o propósito de aprofundar uma questão singular: como cada pessoa hoje envolvida com o setor musical se coloca perante uma realidade que vem exigindo da gente o protagonismo e o envolvimento com um movimento cultural que envolve um complexo sistema (SNC – Sistema Nacional de Cultura), neste momento sendo implantado Brasil adentro. Há além disso outras muitas modificações em aspectos como direito autoral, mercado fonográfico, difusão e circulação etc.  No fundo, o que quero refletir é qual a minha/sua participação dentro do anel a que estamos vinculados a partir de nossa escolha profissional (ou não), no caso, a música.

E são muitos hoje os itens que estão abertos em debate ou já sob implementação nas suas referidas instâncias: locais, estaduais, nacionais e até internacionais como faz, por exemplo, o Espírito Mundo, organizado no Espírito Santo e que vem levando músicos para circularem por diversos festivais da Europa desde uns 5 anos já, pelo menos.

A nós, como sempre advirto, sobra papel para a atuação representativa, burocratizada sob medida para cumprir funções jurídicas, oferecendo aos entes instituídos uma capacidade de interlocução oficializada, dentro dos parâmetros legais e padrões sociais mais aceitos e difundidos. É o caso do Sindicato dos Músicos, da COMPOR, a AMUSIC, a ANDAR, a Ilha de Música, o SEBAM e outras tantas entidades formalizadas ou não, como a própria RPM (Rede Potiguar de Música), o Coletivo Records, o CC Dosol etc, pois de algum modo, em algum cabo estamos enrolados por um mesmo lema, a Música.

Que embora tenha engatado sua estruturação através do lançamento da Rede Potiguar de Música em maio de 2010, exatos quatro anos depois encontra-se inerte em relação ao propositivismo político, que vem sendo cidadanamente edificado por um sistema que é historicamente o mais bem aparatado, num instrumento com força de lei que dá sustentação mais segura para as demandas existentes, o SNC.

Mas, cadê eu? Esse eu individual do sujeito, no caso da maioria dos músicos daqui, encontra-se por demais atrasado em relação às mudanças que afetaram com força os rumos do setor. Ainda há gente achando que os caprichos do modelo anterior continuam em vigor e cometem estultices desde como não gerenciar sua própria carreira até o equívoco de não ser visto circulando de ônibus, pois isso pode configurar um retrato que a própria sociedade não costuma perdoar.

Amenidades à parte, o que chamo a atenção é para o fato de que enquanto outros segmentos artísticos se organizaram e estão pondo em prática alguns projetos, nós (eu/você) estamos ‘procurando agulha no palheiro’ ou qualquer outra coisa pra acender por lá.

Há a indicação de uma reunião para maio com a intenção de rearticular a existência de um fórum capaz de atingir um grau de representatividade e elaborar uma proposta política consistente para a área. Se você for um dos inúmeros reclamantes acostumados a cobrar ações executivas para a música em Natal e sua região metropolitana, ou mesmo sendo um agente da música atuando em outras regiões do estado, junte-se a mim, que me juntarei a você, que nos juntaremos a outros, e assim poderemos realmente mudar a situação difícil em que se encontra quem faz parte dessa segmentação.

Já os que não têm do que reclamar são coerentes em seus resguardos. Porém, se esse não for o seu caso, e mesmo assim houver disponibilidade para nos dar as mãos nesse momento, acesse o link para se inscrever. Você será avisado da confirmação da data através de mensagem posterior.

Façamos o nosso papel. Assim como um professor defende suas bandeiras, quem tem que defender os músicos são os próprios. Defenda seus interesses através das entidades que existem hoje em atuação, associando-se a estas.

(convém destacar que estou me dirigindo diretamente aos músicos, mas a mensagem pode ser ampliada, ao gosto de cada artista).

* Banida do meu vocabulário, culpa é uma palavra que uso para este artigo, excepcionalmente, fazendo daí uma aliteração com o provérbio latino, católico e contritor, mea culpa. Mas, para o que quero dizer, com certeza poderemos traduzi-la como ‘responsabilidade’, sem problema.

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