Música em Natal

12 agosto, 2015

a música espera na calçada

Esperando na Calçada

Falo de música.
A daqui: Natal/RN.

A comunidade musical da cidade, principalmente seus artistas autorais, andam às voltas com uma realidade acidentada, já historicamente conhecida, que traz nas suas raízes fatos manjados, por demais identificados, discutidos e nunca resolvidos. Tal situação se dá nas duas vias, a pública e a privada, mas meu foco nesse artigo é a falta de apoio institucional, do ente público, daquele que em tese tem o dever, a obrigação moral e a responsabilidade social de executar uma política destinada a fortalecer, fomentar e efetivar uma ação em favor do bem cultural em questão.

E tem sido mínima, para não dizer inexistente, a pauta entre o segmento da música natalense e a atual gestão cultural do município. Pífia, vacilante e desmotivadora. Cada qual que dê os seus adjetivos, mas os meus não passarão destes. Ora, como posso qualificar diferentemente, se passado já bem mais da metade desse mandato, praticamente nenhum (repito: nem um) programa, sequer um projeto, foi até o momento discutido com propostas que visem contemplar a produção musical da capital? Nada. Quem quiser contar algum evento pontual, como o editalzinho lá do beco do Zé Reiêra (o nome lhe cai bem) que conte, mas se eu o cito aqui, faço apenas para não encolher ainda mais o histórico ridículo de uma atividade de fim de ano que foi executada mais pra cumprir tabela do que por qualquer outro motivo.

Nada de consistente ou substancial foi implantado como fundamento para a manutenção ou renovação da cena musical natalense. Tô mentindo? Nem mesmo qualquer iniciativa no sentido de dar início a uma programação formadora de público ou capacitativa para os artistas, contribuindo assim para o enriquecimento profissional dos músicos. Nada. Nem sequer um diálogo coerente com o propósito de debater essas questões e encontrar saídas foi meramente possível. Aliás, estamos tentando há quase dois meses uma audiência com o secretário, sem sucesso.

Também sabemos, e devemos reconhecer, que a articulação dos próprios músicos entre si é fraca, tem falhas, algumas de cunho personalista, outras de caráter mais equivocado, … No entanto, há de se convir ainda que trata-se de um sem número de perfis humanos, alguns muito diferenciados entre si, e que torna-se quase impossível alinhar toda essa diversidade em um propósito unificado, embora diante disso e em reuniões da Rede Potiguar de Música tenhamos chegado a um consenso para trabalharmos com dois focos: circulação e registro. Mas francamente, a mim chega a parecer às vezes que devido a esse aspecto, tenhamos chegado ao cúmulo de uma situação que tem de um lado um grupo meio desorganizado e do outro uma omissão conveniente, injustificável por parte do poder público.

Enfim, o que eu estou querendo dizer é que os efeitos de basicamente tudo o que foi feito em relação à música autoral de Natal em quase 3 anos dessa administração não dá pra enumerar com seriedade. E em se tratando de recursos financeiros, nesse tempo inteiro, talvez não chegue a 2 cachês da Elba. Então, particularmente, considero isso uma vergonha. E me sinto indignado em me deparar com uma realidade tão acachapante nessa cidade que escolhemos para sediar nossas vidas criativas, onde desenvolvemos a torto e a direito nossas carreiras instáveis.

É sofrível.

Esso (cantor/compositor)

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