Cosmopolítica

25 outubro, 2015

Vivemos uma semana (passada) com um fato chamativo: a exoneração do Bico.
Rodrigo foi cantado como o secretário de cultura, o mais jovem, na verdade, a ocupar o cargo de direção da Fundação Jose Augusto, e também entre todos os outros em funções equivalentes nos demais estados.

Sua nomeação, após um grave suspense nos bastidores do partido que o indicou, atendia por suposto a uma indicação do Fórum Potiguar de Cultura, que ofereceu ao governador eleito uma lista tríplice, atendendo a uma promessa de campanha do político, que se comprometia a empossar um nome sugerido pelo setor cultural.

No comando, Rodrigo Bico montou sua equipe e se dispôs a construir através de muitos diálogos uma agenda para a área. Foi em frente e está a um passo de lançar um conjunto de chamadas públicas contemplando várias linguagens, num edital que provavelmente levará em conta as propostas recolhidas e a capacidade orçamentária da entidade, que é bem baixinha.

Embora o fato do nome de Bico estar entre aqueles que foram indicados pela sociedade civil, em um protocolo oficial entregue à época por uma comissão formada para este fim ao então coordenador da equipe de transição do novo governo, embora assim, nunca houve por parte do dirigente a apropriação desse fato simbólico. Nem muito menos os próprios artistas seguiram seu rito de empoderamento, haja visto que de modo concreto nada aconteceu. Nem sequer sabemos como está o processo para a criação da secretaria, outro compromisso de campanha de Robinson Faria.

Ou seja: tudo parece ter ficado atrás do pano da cortina partidária. Tanto que agora, ao se afastar da parceria, a senadora Fátima Bezerra leva também junto os seus peões. E mexe nesse tabuleiro de peças frágeis que é a construção de políticas públicas, feitas a partir da inclusão, da participatividade cidadã, e não meramente de um jogo carteado do poder. Então, é nisso que dá. Se Rodrigo Bico fosse realmente uma indicação da sociedade civil e por ela tivesse ele a garantia do seu posto, independente de facções, correntes ou dissidências, outro seria o desfecho de sua gestão.

Nosso papel, como seres sociais, é o de desconstruir essa lógica batida. É crer que como grupos organizados devemos e podemos protagonizar atos reformadores de uma política sem espelhos voltados para o passado. É ir adiante, tomando a dianteira, e deixar esse negócio de ficar correndo atrás.

Para mim, integrando o FPC (Fórum Potiguar de Cultra), quando da realização do debate entre os candidatos, quando do compromisso em dar assento a um nome indicado pelo setor, quando nos mobilizamos para fazer a Plenária da Indicação, enfim em todos estes atos, estamos assumindo nossa parcela de responsabilidade sobre conduções políticas que demandam a justa participação dos interessados.

E agora? O que faremos? Com a queda inesperada do atual gestor, como ficamos?
Mesmo que a indicação pertença de fato ao PT, sendo Fernando Mineiro o certo fiador desse espólio, nossa atitude deveria ser o de oferecer um nome, construído (que seja!) pelas lideranças culturais em seus muitos segmentos. O Fórum Potiguar de Cultura está atualmente sem uma comissão executiva, me restando a única função de mobilizar as gentes.

Para fazer isso, resolvi escrever isso.
É muito mais digno uma luta justa.

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