Maio Maior 2018

4 maio, 2018

MM 2018 (bâner virtual)

Através desse mês Maio Maior lanço o Várzea da Caatinga, meu 3º CD.

Não sei como foi para cada quem, mas ultrapassar essa barreira dos 2 discos se encheu de um significado simbólico forte, no meu caso. Trata-se de um retorno ao estúdio após o disco anterior, 8 anos atrás. Só isso já se converte num dado que faz a minha volta às gravações nesse formato um fato. Mas o mais importante é o que liga minha música diretamente à (música) do meu pai, Zé de Cezário, a quem dediquei o meu trabalho novo. Ele me conta que tocou ieieiês nos forrós do sertão, quando a jovem guarda emulou o rock, e que os homens dançavam soltos no salão. Nesses xotes, toadas e baiões que compõem os ‘forrós magnéticos’ desse disco é a ele que rendo a graça de tê-lo como um mestre musical.

Tem ainda o fato de que Várzea da Caatinga é o nome de origem de uma cidadezinha do oeste potiguar que teve o topônimo alterado para Rafael Godeiro, o que me causou a motivação para intitular o disco e assim procurar abrir uma discussão acerca dessas mudanças tão comuns nos municípios, normalmente adotando outra denominação a partir de manobras politiqueiras e não pela vontade de seus habitantes. Para esse fim estou publicando também o Manifesto LOCAU!.

Estou, por fim, ao adotar esse roteiro para as primeiras ações locais de lançamento, aproveitando a oportunidade para promover o CD, propondo concretamente uma maior interatividade com o público de Natal, a imprensa, os produtores culturais, as rádios, blogs, críticos e demais, no sentido de contribuir com o crescimento da nossa riqueza musical.

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Várzea da Caatinga

3 maio, 2018

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VÁRZEA DA CAATINGA

Eu nasci aqui
Eu mergulhava os meus pés no riacho
Antes que tudo só virasse terra seca
O sol nos esturricando a pele fofa
Enquanto vamos a bater o pilão
(tum-tum!! soca-soca!!)
Algumas coisas até, eu via gigantescas
Mas hoje não cabem nem mais meus pés
juazeiros, jegues, ancoretas e caçuás
Doces serigueleiras, trapiás
Novos currais feitos de pedra
Os poços abertos dos cacimbões
Os concrises, os cancões
Os romances dos pavões
Os oitões de pereiros
Os plantios no inverno
sempriternos

Brinquei muito nos barrancos desses rios
Mamãe que se cuidasse enquanto lavasse a roupa
Enfiava-me nas locas, às vezes assustado
Trepava em cima das árvores, arteiro
Fui (e sou) danado
Foda lá em nós era picada
E a gente topava até debaixo d´água
Subia o tronco dos cajueiros
Em busca de gostosas castanhas

Eu cresci aqui
Sob as ruínas dos torrões
A sala da casa é essa montanha de pó
E sob esse chão arrastei meus bois de ossos
Eu riscava as estradas com pontas de cipó
Para marcar em minha ida o caminho da volta

Cá estou eu mais uma vez … !!

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