AGOSTOS (Cordel)

16 agosto, 2018

para Antônio Francisco

Plínio vê o mar, vai ao monte
Mira as colinas com poesia
Um dia vai à feira, compra ostras
E as come cruas antes de pedalar
Já na praia, velando uma onda lunar
Fez um movimento que abalou a bala
Recitando seu cordel no beco da lama

Júlio empunha a sua viola nervosa
E berra seus versos como um bode
Quem não pode não se sacode
Ou haverá sempre música no ar
Na terra, nos livros, dos céus ao mar
Amar não é um mal tão normal assim
Que a gente sequer dê conta de notar

Israel se indispôs com o arroz
Mas tomou um chá de cogumelo
Confundiu o seu par de chinelo
Com dois sacos de pão de canil
Volta e meia ele faz um retrato
E publica nas mídias sociais
Como fazem todos demais

Já Cauê fugiu pra Paraty
Se sumiu na floresta pantanosa
Despetalou o cabaço de uma rosa
E espinhou no seu peito dois tatus
Mais ou menos umas três horas depois
Nós soubemos através do prefixo local
Que ele já estava chegando em Natal

Não esqueçamos Heitor, nem o Samir, nem o Wal
Tem também toda a família Amaral, Airene, Nicolau
Aldin, Luluca, Poroca, uma filha do seu Joca, que sempre lê meu jornal
Uma comadre em Santos que vale mais que um butim enterrado no quintal
Quem tiver perdido o fim da história, não vai ter reprise no Jornal Nacional

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