POLÍTICA PÚBLICA PARA A CULTURA POTIGUAR: O QUE ESPERAR?

6 dezembro, 2018

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A despeito de Bolsonaro e de outros párias por aí, como Dória em Sampaulo, a eleição de Fátima Bezerra para o governo do RN trouxe um significado muito distinto para o estado, pois se trata historicamente de elevarmos à condução do destino político potiguar uma pessoa de origem popular para o cargo máximo da administração pública. Sem contar com as comemoradas derrotas de cacifes da oligarquia, que ficaram de fora de suas pretensões de continuarem como representantes legislativos, o que não se confirmou.

Nessa fase de transição, quando são levantados os dados e dadas as condições para o novo exercício a partir de janeiro, estão sendo também anunciados os nomes do secretariado. No segundo escalão, sem maior alarde, vão avançando as composições para a indicação dos gestores que darão a cara a várias pastas, incluindo a Cultura, pela qual responde a Fundação José Augusto no organograma atual.

Nos bastidores, além de uma ou outra discussão paralela, em geral virtual, pra variar, nenhuma discussão mais consistente sobre o assunto. O único que li a especular sobre foi o jornalista Sérgio Vilar, no blogue que assina. E fez bem ao levantar o tema, que não foi além dos comentários. Nenhuma mobilização mais articulada, que mostrasse o quanto o setor cultural progrediu em se fazer representar perante essa estrutura burocrática a que também temos que fazer frente, se tratamos de política pública.

O Fórum Potiguar de Cultura fez um esforço no sentido de construir um documento que chegou a ser entregue às candidaturas, divulgado na mídia, com as diretrizes básicas elencadas pelos agentes culturais, resultante do IV FPC, encontro estadual realizado em agosto. Mas não teve ainda a oportunidade de reforçar o seu papel diante da dialética básica que deve ser estabelecida por um governo que se perfila à esquerda e se elegeu com um discurso democrata.

Diante do caos a que fomos jogados pelas sucessivas administrações, estamos em sérias dificuldades: as ruas da cidade estão escuras, os pontos de ônibus, apagados, a lama fede correndo pelos esgotos, às vezes misturada à sangue. Mas não devemos nos desligar do cuidado que devemos manter com o campo do simbólico, do artístico, do estético, tão aparentemente irrelevante mas ao mesmo tempo tão decisivo, sabemos. É justo através dele que saltamos sobre o obscuro, sobrevivendo com dignidade e decência às intempéries da vida, tais quais as que estão postas no nosso caminho já a partir de 28 de outubro.

Nisso, torna-se óbvio a demanda que consta nas primeiras reivindicações, desde sempre, que é a Secretaria. E para além dela, do seu orçamento e de sua estrutura, que esta seja capitaneada por um gestor plenamente capacitado, empoderado pelo executivo, prioritariamente a partir de uma indicação dos próprios fazedores de cultura e não de conchavos nos gabinetes, onde sempre se corre o risco de uma negociata truculenta e sem sintonia com as necessidades reais dos que são diretamente afetados por tal escolha. Sim, pois assim se faz num programa que leve em consideração a participação ativa dos verdadeiros responsáveis por um mandato eletivo, que é ao fim o povo.

Temos que ir além desse conformismo de que, ganhas as eleições, a equipe seja montada a partir de uma coalizão de forças, que em geral mais parece uma colisão de forças. O novo é que nós mesmos nos mobilizemos e aprendamos a construir e a usufruir do direito que temos de reivindicar para nossos campos os nomes que tenhamos identificado como potenciais gestores de nossas áreas, nossas demandas, nossos projetos, nossos pensamentos. Ao menos levar em conta uma prática que temos que exercer, por direito, e não apenas por retórica vazia.

leia a coluna a/cEsso

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