Projeto ÍNTEGRO

24 setembro, 2020

Com Henry  Burnett, Makely Ka, Estela Ceregatti e Téo Ruiz, me vinculei a um novo trabalho, amadurecido por uma década entre nós: o Projeto ÍNTEGRO.

E, como primeira de nossas colaborações estamos apresentando Uma Renca, música de Henry Burnett para letra de Makely Ka, para a qual o coletivo concebeu os arranjos em uma versão audiovisual, gerada nesse período da própria pandemia e já disponibilizada para o público.

Mais do que qualquer outro fator, o conceito de integridade e o de integração permeiam a geração espontânea desse grupo, que alinha suas dissonâncias para responder ao momento com o afeto sonoro de cada região do país, num encontro saboroso, irreverente, se remexendo no chão mais profundo das realidades de cada um dos integrantes, suas respostas à vida, ao sagrado e ao profano, ao caos metropolitano, aos canaviais ainda densos, aos cafés digitais, aos vinícius imorais, …  às favas!

De cara, há o senso comum, mas para além dele a beleza de um jarro é muito realçada pela flor.

Ycamiabas vão pra guerra!

Esso Alencar Natal, 24.09.20

 

 

Acabei de ler por esses dias o livro Memórias da Várzea da Caatinga, assinado em conjunto por Josivan Santos de Oliveira (em versos) e Airene José Amaral de Paiva (e prosas). Nele, Josivan faz com que as memórias e reminiscências do lugar ganhem contornos poéticos, estruturados em 300 estrofes que visitam os topônimos, as personagens, causos e fatos históricos, metrificados num cordel que guarda as lembranças populares, lendas e origens da cidade. Depois, em pequenas crônicas, Airene faz o mesmo, com outro estilo literário, mas também com o mesmo fio, alinhando alguns acontecimentos pitorescos de nossa terra.

Assim, os dois acabam por perfilar um retrato bem particular do torrão natal, preenchendo uma lacuna que é indispensável a qualquer povo: a preservação de sua memória. Fica gravado para todo o sempre, servindo a futuros estudiosos e pesquisadores, tanto como a demais interessados, mesmo que apenas afetivamente.

Aguardava com expectativa o lançamento desse material, especialmente porque em seu título está expresso o nome antigo da nossa cidade, que é lindo, extremamente poético, e que vem referendar o nome do meu 3º disco, chamado Várzea da Caatinga. Como já todos sabem, venho defendendo há tempos uma discussão acerca da renomeação de Rafael Godeiro, através de um trabalho que envolve a comunidade, suas escolas, famílias, políticos etc. E é claro que quando essas duas obras se juntam em referência ao passado, elas trazem naturalmente elementos que contribuem para aprofundar esse processo.

Ano passado, durante a turnê anual que faço pelo estado através do CIMA (Circuito Itinerante de Música Autoral), tive a oportunidade de visitar as escolas municipais e falar um pouco do meu disco, que estava lançando, além de abrir uma discussão sobre essa possibilidade com os estudantes e professores, mas o assunto precisa ir além, adentrar outras esferas públicas e chegar até a Câmara Municipal, que é quem pode propor a mudança num plebiscito.

Por ora, me alegra que essas iniciativas artísticas tenham trazido à tona esse tema, a que outras vem aos poucos se somando. Edson Silva, filho do seu Aldo Lopes, publicou recentemente um cordel maravilhoso, muito bem feito, a que chamou Baú da Caatinga, … e assim, passo a passo, novas obras poderão vir provocando essa redescoberta, não só do belo nome, mas também incluindo outros feitos de nosso povo, valorizando nossa cultura própria e descartando as citações àqueles que dela só quiseram tirar proveito.

 

 

 

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