MAKELY AQUI OUTRA VEZ

18 novembro, 2017

Mak Ka

Makely Ka passou por Natal para apresentar-se e às suas canções.
A acolhida deu-se no palquinho do Itajubá Memorial – Espaço Cultural, na Ribeira.
Foi tudo muito rápido, e até meio improvisado, mas acabamos por nos arranjar de modo a não desperdiçarmos a oportunidade de sua vinda.

Por lá, onde já temos certa intimidade, devido ao projeto Quintal Autoral, recebemos o público convidado e nos instalamos sob o céu aberto para ouvir primeiro Samir Almeida, que nos brindou com uma música nova e inédita. Depois apresentei “Presente Amigo”, canção para o meu pai que integra o repertório do meu disco novo. E aí Makely destrinchou, com sua verve afiada e sua viola desencapada, uma penca de suas músicas, algumas presentes em Cavalo Motor, seu disco mais atual, outras ainda sendo mostradas aos poucos, dando origem à relação das faixas que farão parte do seu próximo trabalho a ser gravado.

Makely Ka é um artista dos mais atuantes do nosso tempo, pois possui capacidade para se envolver em várias atividades, desde pedalar o sertão mineiro (projeto que embasou o CD Cavalo Motor) até discutir políticas públicas para áreas diversas, incluindo a cultura artística. É autor de um bom punhado de canções, sozinho ou em parceria, e vem sendo registrado por vários intérpretes da cena contemporânea mineira e demais gentes de outros quilates.

Minha aproximação com esse sujeito vem do envolvimento que tivemos com a estruturação do segmento musical durante a gestão da pasta cultural por Gilberto Gil e Juca Ferreira no MinC, alargou-se com o compartilhamento e o investimento nosso na plataforma do cooperativismo musical (ele lá, eu cá), e expandiu-se através da nossa arte e empatia por temas comuns, como a integridade ética e estética dos nossos sons, discussões filosóficas e místicas, amor pelo belo e a vontade corajosa de cantar e tocar.

De modo que tem sido sempre um prazer encontrar esse parceiro, seja nas lutas seja nas festas, seja nas alturas, seja de que modo for. Mais especialmente dentro da música, onde seu vocabulário sonoro e poético é fluido, carregado de ironias disso(n)antes que ele sabe bem cultivar.

Foi uma alegria redobrada em tudo, rever compadres, receber pessoas e ao lado delas experienciar um bom momento conjunto, embalados numa noite com muita música orgânica. Ao final do encontro ainda tivemos as participações de Markus Silva e Yrahn Barreto. E Giovanni Rodrigues.

Super.

leia a coluna a/cEsso

Me visite no Sítio!

Anúncios

Festa em Cordes

19 agosto, 2017

la talv

Parte da minha vinda à França estava programada para uma visita a Daniel Loddo, em Cordes sur Ciel. Trata-se de uma cidadezinha construída na idade média, na região occitan, no sul do país, da qual Toulouse é o centro mais importante.

Daniel Loddo ao lado de Céline Ricard, sua companheira inseparável, participam juntos numa das faixas do meu disco que está pra sair no fim do ano. Juntos, eles conduzem uma associação chamada La Talvera, que mantém um grupo do mesmo nome, todos voltados para a preservação da cultura típica de sua região.

Cordes tem pouco mais de mil habitantes residentes, mas nessa época de veraneio na Europa é bastante visitada. Anualmente a associação realiza em agosto uma festa aqui, com o fim de celebrar seus costumes e tradições, sempre trazendo artistas convidados. Dessa vez foram os catalães do El Pont d’Arcalis, que logo cedo começaram a subir e descer as ruas íngremes de Cordes empunhando seus instrumentos para chamar todos a participarem da extensa programação que se desenrolou até o início da madrugada, concluída com um belo baile que reuniu músicas e danças da Catalunha e da Occitania.

Por causa do evento pude travar contato com outros músicos e associados membros do La Talvera que não tinha tido ainda a oportunidade de conhecer em Natal em 2014, quando a COMPOR recebeu alguns integrantes da associação para dar início a uma aproximação de nossas culturas respectivas. Há evidentes traços e/ou vestígios da presença de elementos musicais e até instrumentos (como o pífano, por ex) que perpassam nossa cultura comum. Também travei contato com o francês mais brasileiro com que cruzei na viagem, que foi o Fanck Rivet, atualmente residente na região de Bordeaux, mas com um currículo de passagens longas pelo Brasil e colaborações diversas com músicos brasileiros.

frankie

com Franck Rivet

Ainda nesse final de semana, antes de retornar a Paris, irei acompanhar Daniel e Celine, além de Fabrice Rougier e Aelis Loddo, a mais um compromisso artístico deles nessa temporada. Nesse período, quando o sol é mais presente por aqui, a agenda de festas populares, geralmente ao ar livre, é mais intensa.

leia a coluna a/cEsso

Me visite no Sítio!

p ñ diz q ñ fal golpe

 

Em outubro de 2016, junto a Samir Almeida e Júlio Lima, apresentei em Natal o show ‘Pra não Dizer que não Falei do Golpe’. Foi uma iniciativa para demarcar uma posição política e cidadã, e nada teve a ver com qualquer narrativa partidária, inclusive fiz questão que não houvesse qualquer apoio de entidades e precisei recorrer apenas ao auxílio de pessoas físicas para que fosse possível cobrir custos com o local, na Ribeira.

Inicialmente o show-ato (como eu me referi a ele) iria contar com um número mais expressivo de participações, como a de Carol Benigno, Yrahn Barreto e Carlos Zens, mas as dificuldades na confluência das agendas não permitiu. Enfim, … superados todas os trâmites iniciais e tendo finalmente encontrado um lugar que dispusesse das características necessárias ao que pretendíamos mostrar, ele aconteceu para uma plateia pequena, embora significativa.

A princípio, minha ideia era que fizéssemos a apresentação numa escola, preferencialmente em seu auditório, devido também a critérios técnicos, como o tamanho e potência do equipamento a ser usado. Mas não rolou. As tentativas foram inúmeras, mas as ameaças de represálias aos diretores ou professores por parte de projetos como o ‘escola sem partido’ intimidou a todos. Também não queria tocar num bar, pois o formato era mais para um ambiente que não envolvesse a atmosfera sempre tumultuada e barulhenta de um boteco.

Para o repertório, que continha várias de nossas canções, incluímos umas 3 ou 4 de outros autores brasileiros, tendo começado com a belíssima e forte parceria de João Bosco e Aldir Blanc, interpretada em sua versão mais intensa por Elis: a canção ‘O Cavaleiro e os Moinhos’.

O fato é que mesmo com tudo que foi preciso driblar, o showato aconteceu. Claro que o nosso desejo era conclamar todos aqueles que se diziam insatisfeitos com a atual conjuntura para se fazerem presentes, mostrando à sociedade o descontentamento com os rumos que estavam sendo seguidos pela política brasileira, a usurpação do poder por uma quadrilha de corruptos que tinham como sua maior meta barrar investigações que expusessem seus modos nefastos de administrar os bens do povo brasileiro.

É óbvio que não conseguimos nenhuma notinha em qualquer veículo de comunicação de massa, e investimos toda a nossa divulgação em redes sociais eletrônicas, como vimos fazendo muito ultimamente. Mas o que nos surpreendeu, ao menos até certo ponto, foi o pequeno comparecimento do público, nos mostrando que já àquela época reinava uma apatia bem grande em relação a qualquer tentativa de manifestar uma total insatisfação com o que aí está: uma rápida rapinagem dos direitos da classe trabalhadora, conquistados após décadas de muita luta e constantes mobilizações da sociedade civil organizada.

Hoje em dia, e especialmente ontem, quando vimos a votação no congresso ser feita sem maiores articulações das centrais sindicais e outras entidades organizadas, e sem nenhuma expressiva demonstração de desagravo pelo povo ao espetáculo tenebroso (a não ser em postagens virtualíssimas), fico a me perguntar, inquieto, por que as coisas estão acontecendo desse jeito, …   já existem muitas elucubrações publicadas por aí, extensas análises que exploram o tema, e mesmo assim essa pergunta fica remexendo dentro de mim. Como estamos deixando as coisas acontecerem desse jeito com a gente?  Como é possível que estejamos permitindo que um processo como esse esteja se dando na nossa cara, sem reagirmos à altura? Como podemos ser, de alguma maneira, coniventes com estas atitudes políticas que incidirão pesadamente sobre o futuro de outras gerações vindouras?

Pesa agora e pesará mais ainda no futuro, sobre os nossos ombros, essa responsabilidade sobre o conformismo que nos atingiu. Não podemos continuar assim. Não dá! Se os instrumentos de que dispomos não têm sido suficientes para uma resposta a estas ocorrências descaradas, que tratemos de imediato de partirmos para uma defesa mais contundente e também mais célere dos nossos direitos, pois é disso que se trata realmente. Um grupo de abusados que se congraçam entre si, nas nossas barbas, sem que tenhamos sido capazes de barrar sua sanha voraz pelo poder. Havemos que reagir, ainda que pela Arte, ainda que pela Educação, ainda que por um projeto novo que unifique-nos como povo, como nação, como pessoas com direito a maior dignidade.

Do meu lado, continuarei na defesa incansável de um país mais justo, mais organizado, melhor ciente de suas responsabilidades, com cidadãos mais bem preparados para reconhecerem o real valor do que somos. E, enquanto artista, mesmo que solitariamente, irei continuar com o propósito de me apresentar outras vezes com o mesmo projeto, contestando com a minha voz essa pauta do atraso, conservada por um congresso sem caráter e enfiada goela abaixo no horizonte já tão precário dos mais pobres desinformados.

leia a coluna a/cEsso

Me visite no Sítio!

Lula (lanç CD Tocante)

Mestrinho e Lulinha (foto de José de Holanda)

Estive presente ao lançamento do CD Tocante, de Lulinha Alencar e Mestrinho, acontecido no início desse maio no palco do Sesc Pompeia, em Sampa. O disco reuniu algumas pérolas que seu Domingos compôs para homenagear alguns nomes da música brasileira, o mesmo que os dois sanfoneiros fizeram em relação ao mestre, com quem chegaram a dividir parte de suas vidas profissionais, em noitadas forrozeiras e turnês juninas. Além das regravações dessas obras, tanto Lulinha quanto Mestrinho também gravaram composições próprias, feitas para homenagear seu mestre, declaradamente uma influência definitiva na formação deles.

Lulinha é potiguar e Mestrinho é sergipano, de Itabaiana. Dominguinhos era natural de Garanhuns, pernambucano como Gonzaga. Temos aí uma sequência geracional que dão ao acordeom, a popular sanfona, um uso muito bem apropriado para esse instrumento, tão espetacular. Secularmente mais ligado às artes populares, a partir de Dominguinhos, pela sua personalidade e carisma, além da grande desenvoltura técnica, passou a dialogar com outras linguagens musicais, mais rebuscadas. E é agora explorada nas mais diversas direções, em fusões com o jazz ou amplamente incluída em arranjos de vários gêneros em estúdio ou em apresentações vivas.

No show conjunto prevaleceu o som límpido do solo dos instrumentos, numa performance inusual, com as duas sanfonas conversando, num diálogo inspirado e uma capacidade excepcional dos músicos em respeitar um ao outro, abrindo pausas para as entregas intensas de cada um em seus momentos, deixando nítida a impressão de uma perfeita sincronia entre os dois, convergindo sempre para um ápice comum , que arrebatava o público presente.

O roteiro da apresentação seguiu basicamente o gravado, tendo sido feita uma pequena alteração inicial para abrirem o programa com ‘Ciao, São Paulo’, a única exceção aos autores referidos, sendo esta uma canção composta pelo renomado acordeonista francês Richard Galliano, também dedicada a Domingos e gravada pelos três admiradores confessos do nordestino, falecido poucos meses depois da celebração do centenário de seu padrinho famoso, Luiz Gonzaga.

No palco, a sobriedade de um cabide onde foram dependurados 3 chapéus brancos de couro, típicos da indumentária usada notadamente por Dominguinhos quando de suas apresentações ou em fotografias, a apurada serenidade na iluminação de Pedro Altman e uma competência elegante de Adonias Jr para captar com maestria o som dos dois instrumentos em cena. Quando a música e os músicos são desse tal nível, convém dispensar demais artifícios.

Foi isso. E foi bom assim.

leia a coluna a/cEsso

Me visite no Sítio!

Eu não sou um artista local. Eu não me sinto assim.
Nem nunca fui um artista da terra, não, muito menos.
A minha arte sempre nasceu com o sentido de expressar meu interior, as vísceras, e através dela, arte, saltar sobre a realidade, me devanear.

Foi assim que retomei minha atividade com a música em 2017:
as primeiras sessões de gravação do disco Várzea da Caatinga, após alguns anos de gestação, e agora em março com a turnê do CIMA, o Circuito Itinerante de Música Autoral.

CIMA MAPA

Na Abertura do CIMA (foto de Rodrigo Cruz)

O roteiro começou no dia 07 de março (7 da noite), no Esp Cult MAPA, localizado no shopping Mideimal, em Natal/RN. Ao lado de Samir Almeida, meu parceiro já de boas músicas, aproveitei para lançar a campanha de financiamento colaborativo para a prensagem do CD, que está previsto para vir à luz no último trimestre do ano. A abertura foi por conta de um recital com Chico Morais e o sertão do Seridó o mote dos seus versos.

cima apres bibl pub zn geral IV

No Auditório da Biblioteca (foto de Francesco Rodrix)

No dia 08 (às 3 da tarde), em articulação com o professor Francesco Rodrix e a direção da Biblioteca Américo Costa, localizada na Av Itapetinga, ZN de Natal, me apresentei para uma plateia de alunos da rede pública, que vieram em marcha a pé para o nosso encontro. Foi especial. Geraldo Luiz, meu colega desde o tempo da Filosofia na UFRN foi quem recitou no início.

CIMA Sta Cruz IX

Com Wilka, Hélio e Gilberto em Santa Cruz.

CIMA Sta Cruz III

Auditório da FACISA – Sta Cruz (foto de Robson Ramon)

Dia 09, cedinho, peguei a estrada para Santa Cruz. O primeiro passo foi encontrar com Marcos Silva, que foi um parceiro de primeira hora nessa articulação, desde o início. Seguimos de imediato para a rádio comunitária para uma ótima entrevista, e logo em seguida para o auditório da FACISA, onde aconteceria a apresentação e onde fizemos todos os ajustes técnicos e um breve ensaio com Wilka Guimarães, que participaria comigo num dueto na bela canção O Peixe Nada, de Mazinho Viana com letra do poeta cordelista Antônio Francisco. A dupla de poetas da APOESC, Gilberto Cardoso e Hélio Crisanto arrasaram no começo. O #ForaTemer foi garantido pela plateia presente sem arrego.

CIMA C Novos IV

Com Wescley J. Gama, em Currais Novos 

A data seguinte, 10 de março (21h) era a vez de Currais Novos. Já havia me apresentado antes na cidade e minha ligação com a produção artística do lugar já é antiga. Fui precedido por um recital poético efusivo, com participações abertas aos presentes, incluindo Edrisi Fernandes e Paula Érica, que foi quem armou para que tudo acontecesse por lá. Wescley J Gama participou das músicas iniciais do show que fiz e cantamos dele e Iara Carvalho a bela canção ‘Abelhas’.

CIMA Caicó IV

No Salão Nobre, em Caicó 

11 de março foi a data reservada para Caicó. Há tempos já intentava me apresentar na cidade e quem tornou isso possível foi um camarada que só pude conhecer pessoalmente ao chegar lá: Alexandre Muniz. Logo seguimos para a Rádio Caicó, pra uma entrevista no programa Mesa Redonda, e após esse primeiro compromisso, um pouco mais tarde, fui levado pelo Alê até o Salão Nobre (da antiga prefeitura), onde aconteceria o show. Os poetas Edcarlos Medeiros e José Fernandes deram as boas vindas ao público com um recital de poesia popular espetacular.

Cima em Cruzeta - radio

Cruzeta (com Ivanildo Dantas)

Domingo, 12/03, às 17h, na sede da Banda Filarmônica de Cruzeta, fomos antecedidos por uma chuva torrencial, dessas de lavar até a alma sertaneja, e a alegria que as pessoas da cidade expressavam era nítida e genuína. Por lá, Bembem Dantas, maestro da banda local é que foi o elo. Através dele, que cedeu o salão para a apresentação, entraram em cena outros apoiadores, entre os quais estavam o Ivanildo Dantas, diretor da rádio eletrônica Três Rios, que transmitiu tudo pela web.

Nesse final de semana (25/03) irei fazer uma viagem para fazer articulações no Oeste, que ficou todo de fora. Vou à capital da região, Mossoró, para contato com grupos e/ou pessoas que podem abrir alternativas ao fato de que uma cidade com esse porte não deve ficar de fora da rota do CIMA no ano que vem. Também estou aproveitando a ocasião para abrir grupos virtuais que mistura artistas e produtores e que visem amadurecer a ideia do circuito, implantando-o e profissionalizando-o.

matriz p cartaz MacaíbaE no último dia do mês faço o encerramento da turnê no auditório da Casa de Cultura de Macaíba, fechando com uma alegria imensa essa experiência maravilhosa. Agradeço carinhosamente a todos citados aqui ou em postagens posteriores sobre o assunto e sigamos firmes em frente.

leia a coluna a/cEsso

Me visite no Sítio!

thumb_img_0026_1024

 

Está sendo lançada em Natal agora pelo fim de 2016 a campanha “Música Potiguar: Nosso Som tem Valor” (#musicapotiguarnossosomtemvalor). Ainda não estou completamente inteirado de como ela se desenrolará, mas não há como deixar de participar de qualquer esforço nesse sentido, nem que seja com esse texto.

E sim!, é verdade. Nossa música tem valor, muito valor até. São valores, inclusive. Mas como sabemos, Valor é uma palavra genérica que podemos aplicar a diversos sentidos. Vamos pegar 2 pra nossa discussão aqui, (se houver): o simbólico e o econômico.

O valor simbólico pode muito bem ser exemplificado pelas recentes postagens alusivas ao Dia do Músico, celebrando a padroeira da música, Santa Cecília. Creio que muitos devem ter visto as muitas manifestações dos músicos, com queixas acerca de suas realidades na cena local, as dificuldades e perrengues por que passam(os), a dureza de ser um ser devotado ao ofício e dele viver e sobreviver. Abaixo dos desabafos dos artistas, as caixas de comentários ficaram repletas de manifestações de apoios valorosos (simbólicos), alguns emanando forças invisíveis que na prática pouco poderiam mudar algo concreto na vida difícil de quem canta reflexões ou alegrias nos clubes, quiosques, bares, festas etc.

O xis da questão é o outro valor, o econômico, financeiro, o que pode materializar o resultado da dedicação dos que se entregam a uma profissão cheia de incertezas e percalços, símbolo expressivo de nossa cultura, mas tratada com uma natural ponta de preconceito que começa por quem acha que músico não trabalha e apenas se diverte. Este olhar, muito comum, é o que faz com que as pessoas em geral reclamem do valor do couvert artístico na conta, ou que menosprezem a atividade profissional de quem estudou, ensaiou, investiu e apresentou seu repertório, seja autoral ou alheio, desvalorizando o trabalho com atitudes de ignorância, e pior, de exploração. (Abra-se parêntese rápido para trazer à tona o duelo jurídico recente entre uma banda daqui e um conceituado festival: abriu-se a causa pelo cachê irrisório oferecido e outras discrepâncias que sempre rolam quando se trata de lidar com os músicos potiguares nos eventos locais).

Seja como for, o certo é que entre o ideal e a realidade sempre encontramos um vácuo bem grande. Qual o valor que as instituições públicas legam à música produzida localmente? Bem sabemos: a prefeitura e o estado são conhecidos por destacar em suas propagandas uma enxurrada de números que não são condizentes com as ações dos administradores, com atitudes até discriminatórias em relação ao pagamento dos cachês locais, ou mesmo sabotando os movimentos e as poucas articulações coletivas dos artistas e grupos da cena natalense, como se deu recentemente com o cancelamento do festival Natal tem Música.

Mas há sim campo para o crescimento e maior valorização de nossa música. E é isso que a campanha quer (vou até enumerar algumas sugestões):
1 Maior abertura das rádios para tocar em horários de maior audiência a produção musical de seus lugares, conscientizando e convencendo os programadores e locutores a destacar os nomes dos intérpretes e compositores das gravações (e referente inclusão das faixas em suas listas de recolhimento de direito autoral);
2 Participação dos departamentos de marketing das agências de propaganda e demais veículos da mídia em geral para usar como fundo musical trechos de criações musicais potiguares nas inserções que vão ao ar nos comerciais, reportagens etc (e referente inclusão das faixas em suas listas de recolhimento de direito autoral);
3 Maior exigência dos músicos em relação aos seus direitos, como camarim básico, estrutura digna para as apresentações, principalmente em relação ao som, cumprimento de acertos contratuais etc, valorizando o seu trabalho frente ao profissionalismo que toda prestação de serviço precisa e deve ter;
4 E ainda um necessário esforço para a aprovação de ao menos uma garantia legislativa (lei) que traga benefícios a este setor, com recursos para fomentar a cadeia produtiva, permitindo o aparecimento de novas gerações de artistas e maior preparo de técnicos e operadores de som e luz, por exemplo.
5 Por fim, a unidade em torno de pontos que fundamentem o crescimento expressivo de uma luta em favor destes e demais objetivos que possam ser positivos para os que exercem esta atividade e aos que dela desfrutam. E a isso se chama Política.

Ah, e antes que eu me esqueça: “músico da terra” é o caralho!

leia a coluna a/cEsso

Me visite no Sítio!

Natal, Cidade Supérflua

5 dezembro, 2016

NATAL, CIDADE SUPÉRFLUA

para OS QUATRO (25 anos)

Poderia ser um filme
Mas é na real
Natal, depois de noivar o sol
E desposar a lua cheia
Escureceu …  !!

Felizes, enfileirados na via costeira
Ou cortando os carrões lá na BR
Os pleiboes estouram o som nos paredões

As meninas, com aquela cor de cana morena
Metem duas doses duas vezes pra dentro
Se chupam num beijo lascivo em público
Se chapam e caem juntas na calçada
Enquanto esperam a banda entrar para tocar

Feliz 2017!

INTRANSIGENTE (Sérgio Ran./G. Melo/W. Martins/Esso A.)

Intransigente
E mais paralelo
Reis de ratos
Romano trafegador
Trazendo injúrias

Irmão paralelo
Trucidador de memória
Traficante de alquimia
Gregos no meio da rua
Levando imagens

leia a coluna a/cEsso

Me visite no Sítio!