Palco

lançamento da RPM em 2010

Em Natal (RN), foi liquidada a Cooperativa da Música Potiguar – COMPOR.
O processo para encerrar a atividade da entidade já vinha se dando há alguns meses, mas o caminho para dar a baixa na junta comercial é demorado, muito burocrático, aborrecente e enjoativo. A cooperativa havia nascido em 2011 para dar um passo em relação a uma aposta do segmento música nacionalmente, que buscava no cooperativismo musical uma nova plataforma de viabilidade a modelos sustentáveis para seus associados. Mais da metade do grupo afluiu naturalmente da própria RPM – Rede Potiguar de Música, lançada em 2010 e que naquele momento resolveu se integrar na desafiadora experiência coletiva. Hoje, passado o tempo, a maioria dos membros envolvidos àquela época com a perspectiva de termos a cooperativa como um braço gerador de renda para os associados, estão em outra categoria: o MEI, Micro Empreendedor Individual, que veio a se tornar uma alternativa viável para o perfil do artista/produtor integrante da nossa empresa.

No geral, em termos mais abrangentes, creio que não sejamos a exceção. Outras cooperativas nascidas ou em formação espalhadas pelo país afora também passaram ou passam por dificuldades, sejam financeiras ou administrativas e deram pouco resultado para quem nelas se encostou com a pretensão de se engajar em um modelo novo e experimental para a música brasileira. Aliás, a maior parte dos pontos que orientaram a política pública para o setorial, advindos da intensa mobilização ocorrida durante o período em que Gilberto Gil estava à frente do MinC, foram gradativamente sendo dissolvidos, devagarinho, e agora pouco resta do projeto que se esboçou através do Fórum Nacional de Música e demais entidades que diziam representar as ambições do setor.

Dá para ver com clareza que o enguiço não está pontualizado numa só zona, cidade ou estado. O nó é mais embaixo e certamente tem a ver com a própria natureza da arte que fazemos, mas é duvidoso fazermos qualquer avaliação acerca dessa situação sem que nos coloquemos como sujeitos implicados dentro dessa esfera, para a qual devemos continuar a contribuir, se quisermos consolidar alguma conquista nesse tabuleiro complexo, em que tem se tornado cada dia mais crítica a construção de uma política pública de cultura para as nossas artes.

A impressão que me dá, é que assim como localmente – pra variar! – temos uma série de dificuldades envolvendo os procedimentos e encaminhamentos relacionados, também num nível macro (nacional) atravessamos uma fase sem muito entusiasmo, algum ressentimento e nenhuma conquista significativa do ponto de vista do alcance simbólico ou pragmático, no sentido de nos mover avançando. Mesmo as discussões virtuais vieram se encolhendo, algumas foram desqualificadas pelo teor em si, e para completar, em nada foram ajudadas pelas pautas confusas ou retrógradas que as constantes mudanças no comando do ministério fizeram recuar. É óbvio que estamos tratando de um movimento da sociedade civil, mas não devemos deixar de contar com a importância dos pactos que foram discutidos e encampados em conjunto com o poder público, muitos deles, fracassados.

Também do nosso lado, como agentes criativos e donos de uma consciência que dialogue com o estético, mas também com a cidadania, é forçoso reconhecer que as estratégias e rumos a que vimos nos dirigindo desde que teve início essa mobilização nacional, iniciada ainda com as câmaras setoriais, não evoluíram para uma necessária adequação ao presente e vem nos impondo duras derrotas e penosos percursos, estéreis. A que devemos responsabilizar esses erros? Qual a saída para encabeçarmos uma retomada de nossa mobilização, se é que há hoje um ambiente favorável a esta alternativa? Onde buscar condições para agir sob um diálogo unificado, que atente para as demandas regionalizadas, mas que seja posto de pé sob bases estruturantes que perpassem toda a cadeia produtiva, incida sobre nossa realidade e nos traga respostas eficazes?

São muitas as questões que estão a exigir de nós uma melhor definição, mais clara, mais coerente, mais coesa e também mais efetiva, oferecendo um norte ao nosso horizonte desarmonizado.

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mad dogs

A Cooperativa da Música Potiguar (COMPOR) fez neste fim de semana um programa musical em que celebrou seus primeiros dois anos em atividade. Tratou-se de uma verdadeira mostra de música, diversificada, rica, profissional, onde apresentei-me ao lado do Mad Dogs no domingo, Nara Costa & Zé Hilton mais Acaci & Grupo Flor de Jitirana no sábado, e na abertura, na sexta, a bela voz de Lysia Condé precedida por seu Ademir Adriano, que trouxe para o palco os amigos Carlos Zens e Pedro Paulo, além de mais alguns outros convidados.

Tal oportunidade para exibir uma parte do elenco artístico da cooperativa foi-nos proporcionado pelo Sebrae-RN, através da parceria que vimos construindo ao longo dessa mais recente organização do segmento musical na capital do estado, além do CCN, o Complexo Cultural de Natal, braço da UERN instalado na estrada da Redinha, onde outrora ficava o temido Caldeirão do Diabo, penitenciária que registra na história policial de Natal casos escabrosos e que renderam muitas manchetes no noticiário popular.

Pois bem. Ocupamos o local com esta programação, que divulgamos em campanha virtual coletiva nas redes sociais, cartazes em locais estratégicos e anúncio em carro de som rodando pelos bairros no entorno do CCN, na Zona Norte da cidade. Com final de semana chuvoso e uma população ainda sem o hábito de acompanhar atrações artísticas que diferem do beabá monocórdico e monossilábico dos grupos de suingueira e congêneres, o público que compareceu foi pequeno em relação às áreas gigantescas oferecidas pelo complexo, porém nenhum dos artistas presentes deixou de mostrar sua arte com empolgação e competência, e os shows foram sensacionais.

No domingo, por exemplo, para o encerramento, às 19h30, foi a vez da banda natalense Mad Dogs mostrar seu exímio domínio artístico, com seus mais de 15 anos de formação, maturados por uma convivência significativa no cenário da noite potiguar, sem contar as tantas experiências fora de casa. Eu, que há muito tempo, não assistia a uma apresentação conjunta desse sexteto, fiquei maravilhado com o privilégio de vê-los em ocasião tão propícia, num palco montado no chão, com boa infraestrutura sonora (a/c Canindé Wagner) e a maestria de um bando de garotões entre seus 40 e 50 aninhos, todos com uma vívida chama acesa pela música que fazem, descontraída, afinada, bem executada e excelente, para terminar com um adjetivo fundamental.

Parabéns ao CBI, a quem a idade trouxe a magnífica constatação de que bons artistas são como bons vinhos (são mais saborosos quanto mais o tempo passa), ao Paulo Sarkis, a quem eu costumo chamar de um baixista essencial, aquele que dá amparo a um duo ou a uma orquestra com a mesma categoria (ou seja, com as notas essenciais: nem faltando, nem sobrando), aos irmãos Suassuna (bateria e guitarra), Zé Marcos (teclados) e ao maestro Neemias (sax), que mesmo tendo chegado após o início da apresentação do grupo tocou tanto que compensou seu atraso.

E enfim, a todos que estivemos juntos nessa, vivendo esses momentos sublimes, coisa que em muitas vezes só a música é capaz de nos fazer sentir … Muito agradeço com o coração a quem contribuiu de forma sincera com sua simples presença, destrancando uma porta, servindo um copo d’água, aplaudindo com entusiasmo as canções expostas, colaborando para que possamos em breve estruturar outras mostras musicais para os lados da zona norte, tão carente de eventos que ofereçam alternativas ao lenga-lenga repeticulóide dos ‘enficas’ da vida.

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COMPOR estrea Show Uníssono

 

A Rede Potiguar de Música vem trabalhando cada vez mais firme no intuito de organizar o setor musical em busca de conquistas para sua cadeia produtiva. Os profissionais músicos e outros demais envolvidos com o desenvolvimento de suas atividades acabam de criar a Cooperativa da Música Potiguar – COMPOR, a ser o elo econômico dentro dessa Rede, hoje em dia integrada também por outras entidades, tais como o Sindimusi-RN (sindicato dos músicos) e o Fórum Permanente de Música do RN, este parte do Fórum Nacional de Música, atualmente com uma atuação relevante dentro das discussões em aberto por uma política pública para a música do país.

Em assembleia recente os membros fundadores da COMPOR elegeram seus conselhos administrativo e fiscal, responsáveis mais diretos pelos primeiros passos da cooperativa em seu mandato inicial, tendo assumido a presidência o cantor e compositor Esso Alencar, sendo vice o instrumentista Paulo Sarkis. Ambos estão engajados nas mobilizações, alinhados com as diretrizes nacionais em voga, e coordenam atualmente o Fórum Permanente de Música do RN. A cooperativa também conta inicialmente com nomes expressivos em atividade na cena natalense como Antônio de Pádua, Carlos Zens e Nara Costa, só para citar alguns exemplos.

Formada por músicos e outros agentes da cadeia produtiva da música, a COMPOR fez sua primeira aparição pública no show Uníssono, apresentado no dia18 de outubro no palco do anfiteatro do campus da UFRN, dentro da programação da XVII Cientec. Uma versão instrumental do mesmo show também será tocada no dia 23 desse mês em edição especial do Som da Mata, no Parque das Dunas.

Organizados a partir de suas demandas específicas, a música potiguar vem se articulando para fazer crescer o setor sustentavelmente e prepara para breve o lançamento do seu primeiro catálogo, onde relacionam artistas e prestadores de serviços, possibilitando uma maior interação e fomento de negócios entre seus integrantes, procurando saídas para empecilhos tradicionais ao alavancamento de uma nova realidade para a área, procurando trazer mais aperfeiçoamento para os profissionais artistas e técnicos, no intuito de oferecer capacitação para os interessados, travando uma luta justa por cachês mais dignos, discutindo a cobrança e repasse do direito autoral, investindo em projetos que tenham a clara intenção de contribuir de forma efetiva para o processo de formatação de uma política pública objetiva e transparente, fomentando o desenvolvimento de ações favoráveis, com mecanismos de incentivos concretos aos que trabalham nesse segmento.

Além do mais, os músicos e produtores locais se ressentem do tratamento desigual e mesmo falta de respeito das instituições políticas do município e estado em relação aos casos do pouco investimento na esfera local versus os cachês abusivos, constatados com o pagamento recente do show da trupe gospel Diante do Trono (250 mil), e mais anteriormente o Pe. Fábio de Melo (200 mil), por exemplos. Os dois valores superam o montante do fundo municipal, o Fundo de Incentivo à Cultura – FIC 2011, que saltou de 200 para 400 mil esse ano, tendo que atender a todas as demandas de todos os setores culturais do município.

Estes fatos fazem notar o distanciamento e a diferença entre os padrões de contrato, evidenciando o desprestígio das pautas dos artistas que trabalham com a música potiguar. Para combater estas distorções aberrantes, são aconselháveis medidas legais, que possam reduzir essa margem gigante que despeja recursos no que é produzido lá fora em detrimento do local. Cobra-se ainda a lisura das entidades públicas da área cultural no que diz respeito ao atraso no pagamento de cachês, cumprimento de editais, a efetiva participação dos conselheiros representantes da sociedade civil, mais a agilidade para implantação dos planos estadual e municipal de cultura, adesão ao sistema nacional e investimentos no setor, com recursos aplicados em projetos discutidos com a classe.

Várias novas ações estão sendo avaliadas entre os cooperados e outros integrantes da Rede, como instrumentos que possam ser favoráveis ao seu aprimoramento e úteis no fortalecimento e avanço dessa situação.

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