NOITE ETERNA …

27 outubro, 2018

Esso (P Cult Pium)

Noite eterna
Sou teu vigilante
Pode inscrever meu nome
Com força nessa terra dura

Noite eterna
Sopra a sua brisa
A manhã já se levanta
Aurora se rende ao sol

Vem!!

 

 

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Adeus, Franklin Mário!

3 junho, 2018

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“Tu podes calar a minha boca
Mas não te iludas, não podes calar a minha alma
Mas se por acaso calares minha alma
Ficarei nas almas que calam as bocas
Ficarei nas bocas que não calam as almas”

(texto de Alessandre de Lia musicado por Franklin Mário)

Posso dizer que fui um dos primeiros intérpretes de Franklin Mário (1970-2018).

Atendendo a um convite seu, me juntei a ele e aos músicos Aldo e Luciano Eduardo (Basquetêra) em 1991, para cantar na banda Transe Capitalista, a que sempre me referi como O Transe, que a mim bastava e soava muito bem à existência de um rapaz na disparada velocidade dos 21 anos.

Os ensaios se deram na Cidade da Esperança, dispersos em residências de amigos, mas a maioria expressiva aconteceram na pequena área de entrada da casa dos pais do Franklin, com quem ele morava. A energia era intensa e o espaço curto, tanto pros lados quanto pra cima, onde às vezes acabava por me ferir as mãos o concreto rebaixado do teto durante os saltos a que aquela instigação sonora me levava.

Nunca tive qualquer dúvida que a rápida passagem que fiz tocando ao lado de Franklin e seus amigos, com quem ele já mantinha uma correspondência anterior, foi decisiva para me levar a uma definição mais concreta acerca de minha entrada para esse campo, me autoafirmando profissionalmente e contribuindo significativamente para o meu próprio jeito de compor as minhas próprias canções.

A razão mais lembrada pra isso vinha da força do repertório, pois ali estavam presentes suas criações mais roqueiras, como Criança Inocente (com Caio César), Sangue Azul, Não me Deixe Só, Dores Domadas e Depois do Cansaço, esta incluída no meu primeiro disco. Também registrei no CD Alma de Poeta um texto seu que musiquei, chamado As Mulheres. E ele botou música numa letra que tenho chamada Yellow Brick Road. Junto a Aldo também temos outra parceria: Amazônia Clandestina.

Franklin Mário possuía uma notável riqueza de talento para o universo da composição. Sua diversidade de temáticas, quase sempre na seara das relações humanas, se espraiava sob a riqueza harmônica de sua criação amparada em admiráveis direções melódicas, conjugadas com maestria pelo seu violão muito fluido e também impressionantemente simples. Em suma, ele era dotado de um dom nato, o que o tornou uma referência na música natalense, indubitavelmente.

Embora não tenha sistematizado sua produção, durante uma maior aproximação sua com Júnior Baiano, à época em que este montou um estúdio caseiro, Franklin registrou uma parte de seu repertório, que dividiu em 3 arquivos virtuais, disponibilizados por Antoanete Madureira na internete: Temporário, Ingênuo e A Cidade em Movimento. Os registros não possuem sequer os nomes das músicas e muito menos os de seus parceiros, mas passam a ser de agora em diante uma fonte de acesso ao seu material. Consta ainda um outro registro com os poemas que ele musicou de Oreny Júnior, este com mais detalhes.

Num disco em que se codinominou Mulambêra, Júnior gravou várias canções do amigo e parceiro, muito bem arranjadas e tocadas por Jubileu Filho e gravada no Studium, por Jota Marciano. Já agora, na sua despedida, poucos dias antes de sua partida, ele próprio postou e divulgou Traçados, seu álbum em parceria com Antônio Ronaldo, registrado profissionalmente em estúdio, com a regência de Donizete Lima e sob a mão cuidadosa de Sérgio Farias. Esse foi também o tema de nossa última conversa, há cerca de dois meses. Sem saber, nos despedíamos ali.

O bairro da Cidade da Esperança, com esse nome tão poético, foi o berço artístico de Franklin, que nasceu nas Rocas. Foi lá que viveu a grande maioria dos seus dias, enraizando-se na vida social da comunidade, formando e saindo de bandas que apresentavam-se na festa da padroeira e, nos últimos anos de sua boemia, a reunir-se a amigos e admiradores no Bar do Aurino, onde suas músicas eram tocadas e entoadas uma atrás da outra. O local se transformou por um longo período em sua segunda casa, de onde saía muitas vezes trôpego, deixando preocupados seus pares ao atravessar a avenida da frente.

Deve ser lá também que, a depender de Dina Guedes, se fará uma justa reunião das amizades que prezavam tanto a figura desse compositor de muitas qualidades, de uma produção nada desprezível, com o fim de manter acesa não só a sua memória mas também a sua obra, que deve reverberar tanto quanto tempo mais se passe, preservando-o entre nós para sempre.

Escrever esse texto é dar o meu testemunho acerca da importância de um dos mais profícuos compositores do meu tempo, que nos deixa uma obra vasta, eclética e bela.

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Várzea da Caatinga

3 maio, 2018

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VÁRZEA DA CAATINGA

Eu nasci aqui
Eu mergulhava os meus pés no riacho
Antes que tudo só virasse terra seca
O sol nos esturricando a pele fofa
Enquanto vamos a bater o pilão
(tum-tum!! soca-soca!!)
Algumas coisas até, eu via gigantescas
Mas hoje não cabem nem mais meus pés
juazeiros, jegues, ancoretas e caçuás
Doces serigueleiras, trapiás
Novos currais feitos de pedra
Os poços abertos dos cacimbões
Os concrises, os cancões
Os romances dos pavões
Os oitões de pereiros
Os plantios no inverno
sempriternos

Brinquei muito nos barrancos desses rios
Mamãe que se cuidasse enquanto lavasse a roupa
Enfiava-me nas locas, às vezes assustado
Trepava em cima das árvores, arteiro
Fui (e sou) danado
Foda lá em nós era picada
E a gente topava até debaixo d´água
Subia o tronco dos cajueiros
Em busca de gostosas castanhas

Eu cresci aqui
Sob as ruínas dos torrões
A sala da casa é essa montanha de pó
E sob esse chão arrastei meus bois de ossos
Eu riscava as estradas com pontas de cipó
Para marcar em minha ida o caminho da volta

Cá estou eu mais uma vez … !!

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PARAIBANDO

18 abril, 2018

Budega (bâner virtual)

Estarei em Jampa, como gosto de chamar João Pessoa, retornando para me apresentar por lá após um hiato de algum tempo. Dessa vez para apresentar oficialmente o meu 3º disco de estúdio, Várzea da Caatinga. Nele estão os ‘forrós magnéticos’, como subtitulei o CD, onde aparecem baiões e xotes vestidos com características mais universais, além da pegada percussiva tradicional.

Aqui está a versão para uma canção que tenho com Pedro Osmar: Lambança. O texto é dele, e nós oferecemos esta música a Celso de Alencar, um poeta paraense com quem nos relacionamos e por quem temos grande admiração.

Aliás, falando nisso, a minha ida até a capital paraibana reflete uma profunda ligação com a música produzida no estado, que nasceu do convívio com o Jaguaribe Carne e ampliou-se quando participei do Musiclube SP, uma experiência iniciada na década passada, quando eu e o Pedro montamos uma célula do grupo em Sampa.

No meu disco anterior, Alma de Poeta, além das parcerias com potiguares, também incluí uma canção minha com o Chico César, pra qual o Leno fez um lindo arranjo vocal. Está lá: Nenhuma Exata Resposta.

Sem contar que o apreço que tenho pela produção musical brasileira me leva a ter no topo da lista dos mais exaltados o nome de Geraldo Vandré, para muito além de Caminhando e Cantando. A textura sonora de sua obra, o engajamento político e até o timbre muito particular de sua voz sempre soaram muito fortes dentro de mim.

Pois agora estarei ali. São duas datas consecutivas: no primeiro dia, a terça 24 (21h), no Café da Usina Cultural Energisa, na R. João Bernardo Albuquerque, 243, em Tambiá, e em sequência, quarta 25 (20h), na Budega Arte Café, à R Arthur Américo Cantalice, 197, nos Bancários.

Entre um e outro haverá ainda a ocasião para um momento na loja de discos mais tradicional da cidade, a Música Urbana, de Robério, onde também faço um pocket-show e um bate-papo no fim da tarde, às 16h. Além dos programas de rádio e em outras mídias possíveis às quais visitarei com o intuito de marcar minha passagem pela cidade querida e demonstrar minha apreciação ao que ela e seus ocupantes simbolizam para mim.

Serão todos/as muito bem vindo/as.
Aguardarei a presença de cada um com uma alegria sincera.

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O VELHACO

8 janeiro, 2018

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Velhaco,

Tua lábia não me engana

Sua pose de bacana não me impressiona

Nem o teu discurso mole, varicoso

Insosso, sem gosto ou sem gozo

Quase morrendo, arfando …

 

Velhaco,

Ter que te aturar é um saco

É um fardo do caralho esse barraco, mana

Suportar esse vil e sua infâmia

Esse pato disfarçado, à paisana

Sendo usado pra foder com o Brasil

 

Eu não tenho medo de você

De sua feiura, de sua usura

Nem da sua sanha para nos vender

Nunca vou ter medo de você

Não vou me entregar

Nem jamais temer

 

A história te abrirá uma cova …

Os cavalos correram de novo sob o gramado

As pessoas, pisoteadas e agredidas com cassetetes

Irão, decerto, reagir juntas a essa violência

Teu destino irá cruzar com as pontas das pedras pontiagudas

Por mim, nós iríamos até o fim, até o fim,

E não desistiríamos de lutar por nada

Nada, nada, nada, nada

 

O velhaco possui mãos tortas

De dedos com ossos desconjuntados

O velhaco tem a bexiga frouxa,

Passeia escorchado na esplanada,

Jogando ao chão uma moeda suja

Pros cães a que consegue comprar

 

Uma cadela, na sua ânsia de me morder,

Me arreganha seus dentes afiados,

Rangendo, furiosa, seu ódio.

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Lula (lanç CD Tocante)

Mestrinho e Lulinha (foto de José de Holanda)

Estive presente ao lançamento do CD Tocante, de Lulinha Alencar e Mestrinho, acontecido no início desse maio no palco do Sesc Pompeia, em Sampa. O disco reuniu algumas pérolas que seu Domingos compôs para homenagear alguns nomes da música brasileira, o mesmo que os dois sanfoneiros fizeram em relação ao mestre, com quem chegaram a dividir parte de suas vidas profissionais, em noitadas forrozeiras e turnês juninas. Além das regravações dessas obras, tanto Lulinha quanto Mestrinho também gravaram composições próprias, feitas para homenagear seu mestre, declaradamente uma influência definitiva na formação deles.

Lulinha é potiguar e Mestrinho é sergipano, de Itabaiana. Dominguinhos era natural de Garanhuns, pernambucano como Gonzaga. Temos aí uma sequência geracional que dão ao acordeom, a popular sanfona, um uso muito bem apropriado para esse instrumento, tão espetacular. Secularmente mais ligado às artes populares, a partir de Dominguinhos, pela sua personalidade e carisma, além da grande desenvoltura técnica, passou a dialogar com outras linguagens musicais, mais rebuscadas. E é agora explorada nas mais diversas direções, em fusões com o jazz ou amplamente incluída em arranjos de vários gêneros em estúdio ou em apresentações vivas.

No show conjunto prevaleceu o som límpido do solo dos instrumentos, numa performance inusual, com as duas sanfonas conversando, num diálogo inspirado e uma capacidade excepcional dos músicos em respeitar um ao outro, abrindo pausas para as entregas intensas de cada um em seus momentos, deixando nítida a impressão de uma perfeita sincronia entre os dois, convergindo sempre para um ápice comum , que arrebatava o público presente.

O roteiro da apresentação seguiu basicamente o gravado, tendo sido feita uma pequena alteração inicial para abrirem o programa com ‘Ciao, São Paulo’, a única exceção aos autores referidos, sendo esta uma canção composta pelo renomado acordeonista francês Richard Galliano, também dedicada a Domingos e gravada pelos três admiradores confessos do nordestino, falecido poucos meses depois da celebração do centenário de seu padrinho famoso, Luiz Gonzaga.

No palco, a sobriedade de um cabide onde foram dependurados 3 chapéus brancos de couro, típicos da indumentária usada notadamente por Dominguinhos quando de suas apresentações ou em fotografias, a apurada serenidade na iluminação de Pedro Altman e uma competência elegante de Adonias Jr para captar com maestria o som dos dois instrumentos em cena. Quando a música e os músicos são desse tal nível, convém dispensar demais artifícios.

Foi isso. E foi bom assim.

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Eu não sou um artista local. Eu não me sinto assim.
Nem nunca fui um artista da terra, não, muito menos.
A minha arte sempre nasceu com o sentido de expressar meu interior, as vísceras, e através dela, arte, saltar sobre a realidade, me devanear.

Foi assim que retomei minha atividade com a música em 2017:
as primeiras sessões de gravação do disco Várzea da Caatinga, após alguns anos de gestação, e agora em março com a turnê do CIMA, o Circuito Itinerante de Música Autoral.

CIMA MAPA

Na Abertura do CIMA (foto de Rodrigo Cruz)

O roteiro começou no dia 07 de março (7 da noite), no Esp Cult MAPA, localizado no shopping Mideimal, em Natal/RN. Ao lado de Samir Almeida, meu parceiro já de boas músicas, aproveitei para lançar a campanha de financiamento colaborativo para a prensagem do CD, que está previsto para vir à luz no último trimestre do ano. A abertura foi por conta de um recital com Chico Morais e o sertão do Seridó o mote dos seus versos.

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No Auditório da Biblioteca (foto de Francesco Rodrix)

No dia 08 (às 3 da tarde), em articulação com o professor Francesco Rodrix e a direção da Biblioteca Américo Costa, localizada na Av Itapetinga, ZN de Natal, me apresentei para uma plateia de alunos da rede pública, que vieram em marcha a pé para o nosso encontro. Foi especial. Geraldo Luiz, meu colega desde o tempo da Filosofia na UFRN foi quem recitou no início.

CIMA Sta Cruz IX

Com Wilka, Hélio e Gilberto em Santa Cruz.

CIMA Sta Cruz III

Auditório da FACISA – Sta Cruz (foto de Robson Ramon)

Dia 09, cedinho, peguei a estrada para Santa Cruz. O primeiro passo foi encontrar com Marcos Silva, que foi um parceiro de primeira hora nessa articulação, desde o início. Seguimos de imediato para a rádio comunitária para uma ótima entrevista, e logo em seguida para o auditório da FACISA, onde aconteceria a apresentação e onde fizemos todos os ajustes técnicos e um breve ensaio com Wilka Guimarães, que participaria comigo num dueto na bela canção O Peixe Nada, de Mazinho Viana com letra do poeta cordelista Antônio Francisco. A dupla de poetas da APOESC, Gilberto Cardoso e Hélio Crisanto arrasaram no começo. O #ForaTemer foi garantido pela plateia presente sem arrego.

CIMA C Novos IV

Com Wescley J. Gama, em Currais Novos 

A data seguinte, 10 de março (21h) era a vez de Currais Novos. Já havia me apresentado antes na cidade e minha ligação com a produção artística do lugar já é antiga. Fui precedido por um recital poético efusivo, com participações abertas aos presentes, incluindo Edrisi Fernandes e Paula Érica, que foi quem armou para que tudo acontecesse por lá. Wescley J Gama participou das músicas iniciais do show que fiz e cantamos dele e Iara Carvalho a bela canção ‘Abelhas’.

CIMA Caicó IV

No Salão Nobre, em Caicó 

11 de março foi a data reservada para Caicó. Há tempos já intentava me apresentar na cidade e quem tornou isso possível foi um camarada que só pude conhecer pessoalmente ao chegar lá: Alexandre Muniz. Logo seguimos para a Rádio Caicó, pra uma entrevista no programa Mesa Redonda, e após esse primeiro compromisso, um pouco mais tarde, fui levado pelo Alê até o Salão Nobre (da antiga prefeitura), onde aconteceria o show. Os poetas Edcarlos Medeiros e José Fernandes deram as boas vindas ao público com um recital de poesia popular espetacular.

Cima em Cruzeta - radio

Cruzeta (com Ivanildo Dantas)

Domingo, 12/03, às 17h, na sede da Banda Filarmônica de Cruzeta, fomos antecedidos por uma chuva torrencial, dessas de lavar até a alma sertaneja, e a alegria que as pessoas da cidade expressavam era nítida e genuína. Por lá, Bembem Dantas, maestro da banda local é que foi o elo. Através dele, que cedeu o salão para a apresentação, entraram em cena outros apoiadores, entre os quais estavam o Ivanildo Dantas, diretor da rádio eletrônica Três Rios, que transmitiu tudo pela web.

Nesse final de semana (25/03) irei fazer uma viagem para fazer articulações no Oeste, que ficou todo de fora. Vou à capital da região, Mossoró, para contato com grupos e/ou pessoas que podem abrir alternativas ao fato de que uma cidade com esse porte não deve ficar de fora da rota do CIMA no ano que vem. Também estou aproveitando a ocasião para abrir grupos virtuais que mistura artistas e produtores e que visem amadurecer a ideia do circuito, implantando-o e profissionalizando-o.

matriz p cartaz MacaíbaE no último dia do mês faço o encerramento da turnê no auditório da Casa de Cultura de Macaíba, fechando com uma alegria imensa essa experiência maravilhosa. Agradeço carinhosamente a todos citados aqui ou em postagens posteriores sobre o assunto e sigamos firmes em frente.

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