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Músicos Autorais e Produtores Culturais no pátio IF Cidade Alta

Na quarta, 05 de junho, no pátio do IFRN Cidade Alta aconteceu o evento Dilemas & Diálogos, reunindo músicos a produtores para discutir a relação entre essas duas categorias na história da música potiguar. A presença de um grupo qualificado de profissionais (e amadores) deu ao encontro uma característica muito dinâmica, com abordagens coerentes, pertinentes e respeitosas, mediadas pelo cantor e compositor Esso Alencar.

A atividade é fruto da residência que o músico vem realizando na escola onde aconteceu, a partir da proposta de criação do Núcleo de Produção Cultural Cooperada, que em parceria com o Nuarte – IFRN Cidade Alta a promoveu. A oficina Produção Musical no Mundo Digital também já havia se dado no ano passado a partir dessa parceria.

O propósito foi também o de celebrar o primeiro aniversário do Roteiro Musical Diário, que há pouco mais de um ano vem publicando diariamente uma postagem relacionada à cena musical do estado, especialmente a agenda dos músicos, mas também seus lançamentos em áudio e vídeo.

Durante o encontro, algumas questões relevantes foram debatidas, sendo das mais comentadas as iniciativas de artistas, produtores e coletivos que estão investindo na ida às escolas com a finalidade de formar um novo público para a apreciação da música que vem sendo produzida por aqui. Outros temas, como a falta de abertura das emissoras comerciais de rádio para tocar o nosso repertório ou o valor sem reajuste dos cachês nos bares noturnos também continuam sendo muito recorrentes.

Houve sugestões ainda para que se construa a possibilidade de uma reunião periódica desses músicos junto ao público em um evento regular, que tenha como fim a mostra do conteúdo criativo produzido pelos artistas.

Um documento audiovisual foi gerado e disponibilizado para registrar o momento, com as falas, questionamentos, demandas e opiniões.


 

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Várzea da Caatinga

3 maio, 2018

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VÁRZEA DA CAATINGA

Eu nasci aqui
Eu mergulhava os meus pés no riacho
Antes que tudo só virasse terra seca
O sol nos esturricando a pele fofa
Enquanto vamos a bater o pilão
(tum-tum!! soca-soca!!)
Algumas coisas até, eu via gigantescas
Mas hoje não cabem nem mais meus pés
juazeiros, jegues, ancoretas e caçuás
Doces serigueleiras, trapiás
Novos currais feitos de pedra
Os poços abertos dos cacimbões
Os concrises, os cancões
Os romances dos pavões
Os oitões de pereiros
Os plantios no inverno
sempriternos

Brinquei muito nos barrancos desses rios
Mamãe que se cuidasse enquanto lavasse a roupa
Enfiava-me nas locas, às vezes assustado
Trepava em cima das árvores, arteiro
Fui (e sou) danado
Foda lá em nós era picada
E a gente topava até debaixo d´água
Subia o tronco dos cajueiros
Em busca de gostosas castanhas

Eu cresci aqui
Sob as ruínas dos torrões
A sala da casa é essa montanha de pó
E sob esse chão arrastei meus bois de ossos
Eu riscava as estradas com pontas de cipó
Para marcar em minha ida o caminho da volta

Cá estou eu mais uma vez … !!

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