Várzea da Caatinga

3 maio, 2018

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VÁRZEA DA CAATINGA

Eu nasci aqui
Eu mergulhava os meus pés no riacho
Antes que tudo só virasse terra seca
O sol nos esturricando a pele fofa
Enquanto vamos a bater o pilão
(tum-tum!! soca-soca!!)
Algumas coisas até, eu via gigantescas
Mas hoje não cabem nem mais meus pés
juazeiros, jegues, ancoretas e caçuás
Doces serigueleiras, trapiás
Novos currais feitos de pedra
Os poços abertos dos cacimbões
Os concrises, os cancões
Os romances dos pavões
Os oitões de pereiros
Os plantios no inverno
sempriternos

Brinquei muito nos barrancos desses rios
Mamãe que se cuidasse enquanto lavasse a roupa
Enfiava-me nas locas, às vezes assustado
Trepava em cima das árvores, arteiro
Fui (e sou) danado
Foda lá em nós era picada
E a gente topava até debaixo d´água
Subia o tronco dos cajueiros
Em busca de gostosas castanhas

Eu cresci aqui
Sob as ruínas dos torrões
A sala da casa é essa montanha de pó
E sob esse chão arrastei meus bois de ossos
Eu riscava as estradas com pontas de cipó
Para marcar em minha ida o caminho da volta

Cá estou eu mais uma vez … !!

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PARAIBANDO

18 abril, 2018

Budega (bâner virtual)

Estarei em Jampa, como gosto de chamar João Pessoa, retornando para me apresentar por lá após um hiato de algum tempo. Dessa vez para apresentar oficialmente o meu 3º disco de estúdio, Várzea da Caatinga. Nele estão os ‘forrós magnéticos’, como subtitulei o CD, onde aparecem baiões e xotes vestidos com características mais universais, além da pegada percussiva tradicional.

Aqui está a versão para uma canção que tenho com Pedro Osmar: Lambança. O texto é dele, e nós oferecemos esta música a Celso de Alencar, um poeta paraense com quem nos relacionamos e por quem temos grande admiração.

Aliás, falando nisso, a minha ida até a capital paraibana reflete uma profunda ligação com a música produzida no estado, que nasceu do convívio com o Jaguaribe Carne e ampliou-se quando participei do Musiclube SP, uma experiência iniciada na década passada, quando eu e o Pedro montamos uma célula do grupo em Sampa.

No meu disco anterior, Alma de Poeta, além das parcerias com potiguares, também incluí uma canção minha com o Chico César, pra qual o Leno fez um lindo arranjo vocal. Está lá: Nenhuma Exata Resposta.

Sem contar que o apreço que tenho pela produção musical brasileira me leva a ter no topo da lista dos mais exaltados o nome de Geraldo Vandré, para muito além de Caminhando e Cantando. A textura sonora de sua obra, o engajamento político e até o timbre muito particular de sua voz sempre soaram muito fortes dentro de mim.

Pois agora estarei ali. São duas datas consecutivas: no primeiro dia, a terça 24 (21h), no Café da Usina Cultural Energisa, na R. João Bernardo Albuquerque, 243, em Tambiá, e em sequência, quarta 25 (20h), na Budega Arte Café, à R Arthur Américo Cantalice, 197, nos Bancários.

Entre um e outro haverá ainda a ocasião para um momento na loja de discos mais tradicional da cidade, a Música Urbana, de Robério, onde também faço um pocket-show e um bate-papo no fim da tarde, às 16h. Além dos programas de rádio e em outras mídias possíveis às quais visitarei com o intuito de marcar minha passagem pela cidade querida e demonstrar minha apreciação ao que ela e seus ocupantes simbolizam para mim.

Serão todos/as muito bem vindo/as.
Aguardarei a presença de cada um com uma alegria sincera.

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MAKELY AQUI OUTRA VEZ

18 novembro, 2017

Mak Ka

Makely Ka passou por Natal para apresentar-se e às suas canções.
A acolhida deu-se no palquinho do Itajubá Memorial – Espaço Cultural, na Ribeira.
Foi tudo muito rápido, e até meio improvisado, mas acabamos por nos arranjar de modo a não desperdiçarmos a oportunidade de sua vinda.

Por lá, onde já temos certa intimidade, devido ao projeto Quintal Autoral, recebemos o público convidado e nos instalamos sob o céu aberto para ouvir primeiro Samir Almeida, que nos brindou com uma música nova e inédita. Depois apresentei “Presente Amigo”, canção para o meu pai que integra o repertório do meu disco novo. E aí Makely destrinchou, com sua verve afiada e sua viola desencapada, uma penca de suas músicas, algumas presentes em Cavalo Motor, seu disco mais atual, outras ainda sendo mostradas aos poucos, dando origem à relação das faixas que farão parte do seu próximo trabalho a ser gravado.

Makely Ka é um artista dos mais atuantes do nosso tempo, pois possui capacidade para se envolver em várias atividades, desde pedalar o sertão mineiro (projeto que embasou o CD Cavalo Motor) até discutir políticas públicas para áreas diversas, incluindo a cultura artística. É autor de um bom punhado de canções, sozinho ou em parceria, e vem sendo registrado por vários intérpretes da cena contemporânea mineira e demais gentes de outros quilates.

Minha aproximação com esse sujeito vem do envolvimento que tivemos com a estruturação do segmento musical durante a gestão da pasta cultural por Gilberto Gil e Juca Ferreira no MinC, alargou-se com o compartilhamento e o investimento nosso na plataforma do cooperativismo musical (ele lá, eu cá), e expandiu-se através da nossa arte e empatia por temas comuns, como a integridade ética e estética dos nossos sons, discussões filosóficas e místicas, amor pelo belo e a vontade corajosa de cantar e tocar.

De modo que tem sido sempre um prazer encontrar esse parceiro, seja nas lutas seja nas festas, seja nas alturas, seja de que modo for. Mais especialmente dentro da música, onde seu vocabulário sonoro e poético é fluido, carregado de ironias disso(n)antes que ele sabe bem cultivar.

Foi uma alegria redobrada em tudo, rever compadres, receber pessoas e ao lado delas experienciar um bom momento conjunto, embalados numa noite com muita música orgânica. Ao final do encontro ainda tivemos as participações de Markus Silva e Yrahn Barreto. E Giovanni Rodrigues.

Super.

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