Bico na Câmara

13 agosto, 2016

Foi lançada por esses dias, em convenção partidária, as candidaturas do PT à prefeitura de Natal. Homologados os nomes de Fernando Mineiro para prefeito e entre os vereadores o de Rodrigo Bico.

Bico, como o chamamos os que somos seus amigos ou mais próximos a ele, vai disputar pela segunda vez uma vaga na câmara municipal de Natal, e desta vez sua probabilidade de ser eleito se ampliou consideravelmente, já que alcançou a primeira suplência no pleito anterior e se expôs de forma substancial em ações de grande alcance, tendo inclusive assumido os destinos da FJA por alguns meses na gestão de Robinson Faria.

Há também uma forte adesão dos segmentos artísticos à inclinação de Rodrigo Bico a representar o chamado setor cultural, que é amplo, diversificado e vai muito além da arte, convenhamos. Mas chamo a atenção para discutirmos alguns aspectos merecedores de questionamentos e creio que devemos aproveitar o ensejo da campanha para colocar em pauta.

Nesse breve texto, que não se prestará a encadear estes pontos, eu simplesmente desejo lembrar antes de tudo, e a todos, que pelo simples fato de mantermos uma relação de proximidade com um candidato, isso nem sempre deve implicar em acompanha-lo cegamente em sua campanha. Aliás, para mim, quanto maior o grau de proximidade com o político, devemos insistir no aprimoramento de um projeto para o mandato, buscando esgotar o dimensionamento das propostas, de que modo elas irão impactar o eixo de nossa comunidade e de que forma poderemos contribuir com sua formatação e posterior execução.

Nós, brasileiros em geral, temos errado muito nesses últimos anos quando o assunto é esse: o voto. A prova está aí, com o congresso, assembleias e câmaras municipais recheadas de vergonha, pura vergonha. Gente despreparada e partidos conchavados com os mais espúrios valores, farta corrupção e falta de caráter, resultando no desastre que se abate sobre nós nesta hora penosa.

Por isso, no meu entender, quem desejar participar desse processo eleitoral, seja como candidato, cabo eleitoral ou simples eleitor, deverá adotar uma postura crítica incisiva, vigilante, questionadora, contribuindo para a própria formação das novas lideranças eleitas, iniciando a renovação de um ciclo que tem que por o país num outro caminho, e não mais nos deixar à mercê dessa miséria cíclica, que tem feito com que novas eleições não signifiquem qualquer mudança.

No caso de vir a ser eleito, Bico será um dos vereadores mais jovens da câmara municipal, certamente, e o mandato poderá ter uma atuação diferenciada em relação a políticas públicas para a juventude, que naturalmente poderá imprimir uma dinâmica muito forte ao que vier a acontecer. É preciso também que a própria militância cobre dos seus partidos mais independência para seus representantes legislativos, que as executivas sejam mais flexíveis em relação às necessidades dos filiados e atendam de fato aos anseios dos que desejam mudanças e apostam nessas mudanças.

Virão?

leia a coluna a/cEsso

Me visite no Sítio!

Cosmopolítica

25 outubro, 2015

Vivemos uma semana (passada) com um fato chamativo: a exoneração do Bico.
Rodrigo foi cantado como o secretário de cultura, o mais jovem, na verdade, a ocupar o cargo de direção da Fundação Jose Augusto, e também entre todos os outros em funções equivalentes nos demais estados.

Sua nomeação, após um grave suspense nos bastidores do partido que o indicou, atendia por suposto a uma indicação do Fórum Potiguar de Cultura, que ofereceu ao governador eleito uma lista tríplice, atendendo a uma promessa de campanha do político, que se comprometia a empossar um nome sugerido pelo setor cultural.

No comando, Rodrigo Bico montou sua equipe e se dispôs a construir através de muitos diálogos uma agenda para a área. Foi em frente e está a um passo de lançar um conjunto de chamadas públicas contemplando várias linguagens, num edital que provavelmente levará em conta as propostas recolhidas e a capacidade orçamentária da entidade, que é bem baixinha.

Embora o fato do nome de Bico estar entre aqueles que foram indicados pela sociedade civil, em um protocolo oficial entregue à época por uma comissão formada para este fim ao então coordenador da equipe de transição do novo governo, embora assim, nunca houve por parte do dirigente a apropriação desse fato simbólico. Nem muito menos os próprios artistas seguiram seu rito de empoderamento, haja visto que de modo concreto nada aconteceu. Nem sequer sabemos como está o processo para a criação da secretaria, outro compromisso de campanha de Robinson Faria.

Ou seja: tudo parece ter ficado atrás do pano da cortina partidária. Tanto que agora, ao se afastar da parceria, a senadora Fátima Bezerra leva também junto os seus peões. E mexe nesse tabuleiro de peças frágeis que é a construção de políticas públicas, feitas a partir da inclusão, da participatividade cidadã, e não meramente de um jogo carteado do poder. Então, é nisso que dá. Se Rodrigo Bico fosse realmente uma indicação da sociedade civil e por ela tivesse ele a garantia do seu posto, independente de facções, correntes ou dissidências, outro seria o desfecho de sua gestão.

Nosso papel, como seres sociais, é o de desconstruir essa lógica batida. É crer que como grupos organizados devemos e podemos protagonizar atos reformadores de uma política sem espelhos voltados para o passado. É ir adiante, tomando a dianteira, e deixar esse negócio de ficar correndo atrás.

Para mim, integrando o FPC (Fórum Potiguar de Cultra), quando da realização do debate entre os candidatos, quando do compromisso em dar assento a um nome indicado pelo setor, quando nos mobilizamos para fazer a Plenária da Indicação, enfim em todos estes atos, estamos assumindo nossa parcela de responsabilidade sobre conduções políticas que demandam a justa participação dos interessados.

E agora? O que faremos? Com a queda inesperada do atual gestor, como ficamos?
Mesmo que a indicação pertença de fato ao PT, sendo Fernando Mineiro o certo fiador desse espólio, nossa atitude deveria ser o de oferecer um nome, construído (que seja!) pelas lideranças culturais em seus muitos segmentos. O Fórum Potiguar de Cultura está atualmente sem uma comissão executiva, me restando a única função de mobilizar as gentes.

Para fazer isso, resolvi escrever isso.
É muito mais digno uma luta justa.

leia a coluna a/cEsso

Me visite no Sítio!

RN Criativo

21 outubro, 2014

Protesto do RN Criativo na abertura da Cid da Criança

Protesto do RN Criativo na abertura da Cid da Criança

Implantado em Natal sob convênio entre o Ministério da Cultura (MinC) e a Fundação Jose Augusto (FJA), o RN Criativo foi aberto a 22 de maio para efetivar uma ação na área da Economia Criativa, atendendo a uma demanda de expansão dessa área e o fortalecimento do Sistema Nacional de Cultura. A equipe contratada para a execução dessa meta, selecionada por uma comissão chefiada pela SEC (Secretaria de Economia Criativa), envolve em sua maioria profissionais da área cultural com vasta experiência no campo em questão, tendo se empenhado desde o primeiro momento em cumprir os objetivos desse trabalho.

No entanto, após cinco meses, infelizmente, sem depositar a contrapartida devida (no caso, 300 mil de hum milhão e meio), a Fundação Jose Augusto compromete de forma desrespeitosa e acintosa mais um projeto relevante para a comunidade artística e produtiva do estado, justamente o contrário do que justifica para existir. Afinal, sem sequer gastar pouco mais de 30 mil/mês, durante um ano, não será mesmo possível capacitar novas dezenas de agentes culturais espalhados por todo o vasto território potiguar, todo ele repleto de artistas por demais carentes de novos saberes que os incluam entre os que estejam aptos a gerirem suas ideias com clareza e desenvoltura. Pois este foi um dos pilares fundamentais para a abertura do escritório em Natal, que mesmo ao revés desse descaso com a cultura, ainda chegou a realizar importantes eventos como palestras, oficinas, credenciamento de agentes culturais e atendimento em consultorias, além de articulações com parcerias que dessem conta da perfeita execução deste convênio.

Tudo agora a um passo de ser descartado pela nossa fundação de cultura que ameaça sustar o acerto entre ela e o ministério, segunda alega, por falta de recurso para honrar o contrato. Será mesmo? Não é conveniente que aproveitemos para indagar à instituição qual sua real implicação com o nosso desenvolvimento cultural? Qual a razão de sua função nesse contexto? A única biblioteca de Natal sob responsabilidade pública ficou fechada durante toda essa gestão, as Casas de Cultura são uma política de fachada, o Plano Estadual de Cultura sequer foi enviado ao legislativo para ser apreciado ou votado, o Fundo Estadual de Cultura é um engodo, e nem mesmo o Agosto da Alegria, cartão-postal da famigerada Secult/RN deu em alguma coisa, a não ser num tremendo fiasco, ruborizador, pra quem tem vergonha na cara.

Por outro lado, alguns de nós, integrantes dessa equipe do RN Criativo, estamos submetidos a uma situação embaraçosa, passando por dificuldades circunstanciadas em virtude dessa roubada em que fomos enfiados por uma entidade de dúbio caráter: o de ser uma instituição incumbida de promover a cultura desse estado ou apenas um cabide de empregos com feições eleitoreiras.

Apesar de tudo, ainda assim, estamos crentes numa solução plausível, e que a partir de nossa mobilização possa surtir numa negociação que chegue a bom termo entre partes envolvidas. Quem dera!

leia a coluna a/cEsso

Me visite no Sítio!

Até a próxima sexta (28) as organizações da sociedade civil que quiserem se candidatar a sediar um ponto de cultura do MinC através do contrato de cooperação firmado com a Fundação José Augusto (FJA) para viabilizar a instalação de aproximadamente 50 deles aqui no RN … Os documentos para preenchimento seguem em linques postados logo abaixo.

Examine criteriosamente o seu papel e o da entidade a qual você está ligado(a), formule e encaminhe sua proposta … e Boa Sorte!

REGULAMENTO, FICHA DE INSCRIÇÃO & PLANILHAS

leia a coluna a/cEsso

Me visite no Sítio!