MÃOS À OBRA!!

7 agosto, 2018

4FPC I

Abertura IV FPC (Aluizio Matias, Esso Alencar, Lau Siqueira, Fernanda Matos e Amaury)

Amaury Jr, pelos indicadores, vem se mostrando um gestor muito bem intencionado. A cada novo ato de ofício que ele divulga nas mídias sociais lhes soam loas, aplausos, elogios. Nunca uma crítica.

Minto. Rodrigo Bico jogou pra geral o caráter das ações do fim dessa administração desastrada, que já empossou em 3 anos e meio quatro gestores, sendo ele um deles, tal o tamanho do caso, caso sério, dessa fundação que conduz o programa cultural para as artes em nosso estado.

No encontro que o FPC (Fórum Potiguar de Cultura) promoveu no fim da semana passada, quando a FJA (Fundação José Augusto) estava incluída como convidada entre os representantes das secretarias da PB e PE, foi possível muito claramente identificar a tamanha diferença de atenção que o tema recebe entre nossos vizinhos. E até mesmo deixar explícito para quem quiser ver, as falhas enormes, as lacunas, a falta de planejamento, o prejuízo deixado pelos desgastes políticos que se sucederam durante esse mandato de governo.

Tão dramática é a situação da FJA como instituição, que às vezes somos forçados a pensar que só uma reforma radical consiga sanar os vícios impostos a ela, sendo o cabide de empregos seguramente o mais imoral.

Talvez a criação de uma secretaria, que passe a operar em sua função, adequada já aos moldes do SNC – Sistema Nacional de Cultura, seja uma alternativa viável, enquanto relega à fundação a missão de cumprir com mais rigor e acerto alguns papéis, como o de cuidar dos patrimônios públicos, por exemplo, deixando a condução de uma política para um novo órgão, mais capacitado e eficiente.

Porque isso ela, definitivamente, não faz.
Não no momento.

Tudo o que está sendo executado se deve ao fato de que Amaury é um produtor competente, ninguém nega, mas as ações desse fim de ano, no último semestre, são meramente midiáticas. Também ninguém há de negar. Porque se não assumirmos e expusermos essa fragilidade, (também) não teremos nunca condições para buscar e apontar soluções plausíveis para essa nossa realidade tosca.

Nos debates do fórum ficou patente o crescimento dos investimentos e ações na PB, que só teve a sua secretaria criada há pouco. Se formos comparar com o estado de PE, aí nem tem graça, pois nos pulverizamos diante do que eles fazem por lá. E não se engane de que se trata apenas de montantes, de orçamento. Não. No caso, entram outras questões bem fundamentais, além da grana: corpo técnico qualificado e gestão capacitada são imprescindíveis.

Além do mais, aqui, onde 80% do orçamento é usado para pagar a folha, e onde só os restantes 20% destinam-se às ações culturais, ressalta-se por demais a contraditoriedade desse investimento. De 40 milhões, 32 pagam a folha, ficando 8 para o que der e vier.

Impõe-se, portanto, que o movimento organizado que o FPC representa, e todas as outras instâncias respeitáveis, se juntem para debater nesse momento um novo rumo para essa situação que, todos sabemos, é demasiado frágil. Por essa razão, precisa ser debatida publicamente e nós iremos propor esse encaminhamento, ao menos no que diz respeito ao FEC, o Fundo Estadual de Cultura. Nem mesmo o orçamento do fundo, já regulamentado e destinado ao setor, vem sendo executado.

Pois que ao menos saibamos para onde está sendo enviado. Além disso, que o estado se comprometa com sua responsabilidade social, na nossa área, nos garantindo o uso do recurso, como exige a lei.

Não se combate a violência apenas com o emprego de batalhões de soldados. A arte também dispõe de seus pelotões de operários, que usa suas técnicas para construir pontes para a vida, e não para sacrificar nossa população, a mais jovem, alvejada nas estatísticas da morte.

Façamos agora, e em conjunto, o esforço para elaborar nossas contribuições a uma iminente mudança nos objetos e objetivos da cultura artística potiguar. Estamos muito, muito atrasados. Muito atrasados. E temos que evoluir, significativamente. Com mais competência, mais responsabilidade, mais sensibilidade, e até um pouco daquela boa dose de amor, de que falou o poeta.

Mãos à obra!!

 

leia a coluna a/cEsso

Me visite no Sítio!