AGOSTOS (Cordel)

16 agosto, 2018

para Antônio Francisco

Plínio vê o mar, vai ao monte
Mira as colinas com poesia
Um dia vai à feira, compra ostras
E as come cruas antes de pedalar
Já na praia, velando uma onda lunar
Fez um movimento que abalou a bala
Recitando seu cordel no beco da lama

Júlio empunha a sua viola nervosa
E berra seus versos como um bode
Quem não pode não se sacode
Ou haverá sempre música no ar
Na terra, nos livros, dos céus ao mar
Amar não é um mal tão normal assim
Que a gente sequer dê conta de notar

Israel se indispôs com o arroz
Mas tomou um chá de cogumelo
Confundiu o seu par de chinelo
Com dois sacos de pão de canil
Volta e meia ele faz um retrato
E publica nas mídias sociais
Como fazem todos demais

Já Cauê fugiu pra Paraty
Se sumiu na floresta pantanosa
Despetalou o cabaço de uma rosa
E espinhou no seu peito dois tatus
Mais ou menos umas três horas depois
Nós soubemos através do prefixo local
Que ele já estava chegando em Natal

Não esqueçamos Heitor, nem o Samir, nem o Wal
Tem também toda a família Amaral, Airene, Nicolau
Aldin, Luluca, Poroca, uma filha do seu Joca, que sempre lê meu jornal
Uma comadre em Santos que vale mais que um butim enterrado no quintal
Quem tiver perdido o fim da história, não vai ter reprise no Jornal Nacional

MÃOS À OBRA!!

7 agosto, 2018

4FPC I

Abertura IV FPC (Aluizio Matias, Esso Alencar, Lau Siqueira, Fernanda Matos e Amaury)

Amaury Jr, pelos indicadores, vem se mostrando um gestor muito bem intencionado. A cada novo ato de ofício que ele divulga nas mídias sociais lhes soam loas, aplausos, elogios. Nunca uma crítica.

Minto. Rodrigo Bico jogou pra geral o caráter das ações do fim dessa administração desastrada, que já empossou em 3 anos e meio quatro gestores, sendo ele um deles, tal o tamanho do caso, caso sério, dessa fundação que conduz o programa cultural para as artes em nosso estado.

No encontro que o FPC (Fórum Potiguar de Cultura) promoveu no fim da semana passada, quando a FJA (Fundação José Augusto) estava incluída como convidada entre os representantes das secretarias da PB e PE, foi possível muito claramente identificar a tamanha diferença de atenção que o tema recebe entre nossos vizinhos. E até mesmo deixar explícito para quem quiser ver, as falhas enormes, as lacunas, a falta de planejamento, o prejuízo deixado pelos desgastes políticos que se sucederam durante esse mandato de governo.

Tão dramática é a situação da FJA como instituição, que às vezes somos forçados a pensar que só uma reforma radical consiga sanar os vícios impostos a ela, sendo o cabide de empregos seguramente o mais imoral.

Talvez a criação de uma secretaria, que passe a operar em sua função, adequada já aos moldes do SNC – Sistema Nacional de Cultura, seja uma alternativa viável, enquanto relega à fundação a missão de cumprir com mais rigor e acerto alguns papéis, como o de cuidar dos patrimônios públicos, por exemplo, deixando a condução de uma política para um novo órgão, mais capacitado e eficiente.

Porque isso ela, definitivamente, não faz.
Não no momento.

Tudo o que está sendo executado se deve ao fato de que Amaury é um produtor competente, ninguém nega, mas as ações desse fim de ano, no último semestre, são meramente midiáticas. Também ninguém há de negar. Porque se não assumirmos e expusermos essa fragilidade, (também) não teremos nunca condições para buscar e apontar soluções plausíveis para essa nossa realidade tosca.

Nos debates do fórum ficou patente o crescimento dos investimentos e ações na PB, que só teve a sua secretaria criada há pouco. Se formos comparar com o estado de PE, aí nem tem graça, pois nos pulverizamos diante do que eles fazem por lá. E não se engane de que se trata apenas de montantes, de orçamento. Não. No caso, entram outras questões bem fundamentais, além da grana: corpo técnico qualificado e gestão capacitada são imprescindíveis.

Além do mais, aqui, onde 80% do orçamento é usado para pagar a folha, e onde só os restantes 20% destinam-se às ações culturais, ressalta-se por demais a contraditoriedade desse investimento. De 40 milhões, 32 pagam a folha, ficando 8 para o que der e vier.

Impõe-se, portanto, que o movimento organizado que o FPC representa, e todas as outras instâncias respeitáveis, se juntem para debater nesse momento um novo rumo para essa situação que, todos sabemos, é demasiado frágil. Por essa razão, precisa ser debatida publicamente e nós iremos propor esse encaminhamento, ao menos no que diz respeito ao FEC, o Fundo Estadual de Cultura. Nem mesmo o orçamento do fundo, já regulamentado e destinado ao setor, vem sendo executado.

Pois que ao menos saibamos para onde está sendo enviado. Além disso, que o estado se comprometa com sua responsabilidade social, na nossa área, nos garantindo o uso do recurso, como exige a lei.

Não se combate a violência apenas com o emprego de batalhões de soldados. A arte também dispõe de seus pelotões de operários, que usa suas técnicas para construir pontes para a vida, e não para sacrificar nossa população, a mais jovem, alvejada nas estatísticas da morte.

Façamos agora, e em conjunto, o esforço para elaborar nossas contribuições a uma iminente mudança nos objetos e objetivos da cultura artística potiguar. Estamos muito, muito atrasados. Muito atrasados. E temos que evoluir, significativamente. Com mais competência, mais responsabilidade, mais sensibilidade, e até um pouco daquela boa dose de amor, de que falou o poeta.

Mãos à obra!!

 

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Adeus, Franklin Mário!

3 junho, 2018

A imagem pode conter: Franklin Mario, sentado

“Tu podes calar a minha boca
Mas não te iludas, não podes calar a minha alma
Mas se por acaso calares minha alma
Ficarei nas almas que calam as bocas
Ficarei nas bocas que não calam as almas”

(texto de Alessandre de Lia musicado por Franklin Mário)

Posso dizer que fui um dos primeiros intérpretes de Franklin Mário (1970-2018).

Atendendo a um convite seu, me juntei a ele e aos músicos Aldo e Luciano Eduardo (Basquetêra) em 1991, para cantar na banda Transe Capitalista, a que sempre me referi como O Transe, que a mim bastava e soava muito bem à existência de um rapaz na disparada velocidade dos 21 anos.

Os ensaios se deram na Cidade da Esperança, dispersos em residências de amigos, mas a maioria expressiva aconteceram na pequena área de entrada da casa dos pais do Franklin, com quem ele morava. A energia era intensa e o espaço curto, tanto pros lados quanto pra cima, onde às vezes acabava por me ferir as mãos o concreto rebaixado do teto durante os saltos a que aquela instigação sonora me levava.

Nunca tive qualquer dúvida que a rápida passagem que fiz tocando ao lado de Franklin e seus amigos, com quem ele já mantinha uma correspondência anterior, foi decisiva para me levar a uma definição mais concreta acerca de minha entrada para esse campo, me autoafirmando profissionalmente e contribuindo significativamente para o meu próprio jeito de compor as minhas próprias canções.

A razão mais lembrada pra isso vinha da força do repertório, pois ali estavam presentes suas criações mais roqueiras, como Criança Inocente (com Caio César), Sangue Azul, Não me Deixe Só, Dores Domadas e Depois do Cansaço, esta incluída no meu primeiro disco. Também registrei no CD Alma de Poeta um texto seu que musiquei, chamado As Mulheres. E ele botou música numa letra que tenho chamada Yellow Brick Road. Junto a Aldo também temos outra parceria: Amazônia Clandestina.

Franklin Mário possuía uma notável riqueza de talento para o universo da composição. Sua diversidade de temáticas, quase sempre na seara das relações humanas, se espraiava sob a riqueza harmônica de sua criação amparada em admiráveis direções melódicas, conjugadas com maestria pelo seu violão muito fluido e também impressionantemente simples. Em suma, ele era dotado de um dom nato, o que o tornou uma referência na música natalense, indubitavelmente.

Embora não tenha sistematizado sua produção, durante uma maior aproximação sua com Júnior Baiano, à época em que este montou um estúdio caseiro, Franklin registrou uma parte de seu repertório, que dividiu em 3 arquivos virtuais, disponibilizados por Antoanete Madureira na internete: Temporário, Ingênuo e A Cidade em Movimento. Os registros não possuem sequer os nomes das músicas e muito menos os de seus parceiros, mas passam a ser de agora em diante uma fonte de acesso ao seu material. Consta ainda um outro registro com os poemas que ele musicou de Oreny Júnior, este com mais detalhes.

Num disco em que se codinominou Mulambêra, Júnior gravou várias canções do amigo e parceiro, muito bem arranjadas e tocadas por Jubileu Filho e gravada no Studium, por Jota Marciano. Já agora, na sua despedida, poucos dias antes de sua partida, ele próprio postou e divulgou Traçados, seu álbum em parceria com Antônio Ronaldo, registrado profissionalmente em estúdio, com a regência de Donizete Lima e sob a mão cuidadosa de Sérgio Farias. Esse foi também o tema de nossa última conversa, há cerca de dois meses. Sem saber, nos despedíamos ali.

O bairro da Cidade da Esperança, com esse nome tão poético, foi o berço artístico de Franklin, que nasceu nas Rocas. Foi lá que viveu a grande maioria dos seus dias, enraizando-se na vida social da comunidade, formando e saindo de bandas que apresentavam-se na festa da padroeira e, nos últimos anos de sua boemia, a reunir-se a amigos e admiradores no Bar do Aurino, onde suas músicas eram tocadas e entoadas uma atrás da outra. O local se transformou por um longo período em sua segunda casa, de onde saía muitas vezes trôpego, deixando preocupados seus pares ao atravessar a avenida da frente.

Deve ser lá também que, a depender de Dina Guedes, se fará uma justa reunião das amizades que prezavam tanto a figura desse compositor de muitas qualidades, de uma produção nada desprezível, com o fim de manter acesa não só a sua memória mas também a sua obra, que deve reverberar tanto quanto tempo mais se passe, preservando-o entre nós para sempre.

Escrever esse texto é dar o meu testemunho acerca da importância de um dos mais profícuos compositores do meu tempo, que nos deixa uma obra vasta, eclética e bela.

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Eu não sou um artista local. Eu não me sinto assim.
Nem nunca fui um artista da terra, não, muito menos.
A minha arte sempre nasceu com o sentido de expressar meu interior, as vísceras, e através dela, arte, saltar sobre a realidade, me devanear.

Foi assim que retomei minha atividade com a música em 2017:
as primeiras sessões de gravação do disco Várzea da Caatinga, após alguns anos de gestação, e agora em março com a turnê do CIMA, o Circuito Itinerante de Música Autoral.

CIMA MAPA

Na Abertura do CIMA (foto de Rodrigo Cruz)

O roteiro começou no dia 07 de março (7 da noite), no Esp Cult MAPA, localizado no shopping Mideimal, em Natal/RN. Ao lado de Samir Almeida, meu parceiro já de boas músicas, aproveitei para lançar a campanha de financiamento colaborativo para a prensagem do CD, que está previsto para vir à luz no último trimestre do ano. A abertura foi por conta de um recital com Chico Morais e o sertão do Seridó o mote dos seus versos.

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No Auditório da Biblioteca (foto de Francesco Rodrix)

No dia 08 (às 3 da tarde), em articulação com o professor Francesco Rodrix e a direção da Biblioteca Américo Costa, localizada na Av Itapetinga, ZN de Natal, me apresentei para uma plateia de alunos da rede pública, que vieram em marcha a pé para o nosso encontro. Foi especial. Geraldo Luiz, meu colega desde o tempo da Filosofia na UFRN foi quem recitou no início.

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Com Wilka, Hélio e Gilberto em Santa Cruz.

CIMA Sta Cruz III

Auditório da FACISA – Sta Cruz (foto de Robson Ramon)

Dia 09, cedinho, peguei a estrada para Santa Cruz. O primeiro passo foi encontrar com Marcos Silva, que foi um parceiro de primeira hora nessa articulação, desde o início. Seguimos de imediato para a rádio comunitária para uma ótima entrevista, e logo em seguida para o auditório da FACISA, onde aconteceria a apresentação e onde fizemos todos os ajustes técnicos e um breve ensaio com Wilka Guimarães, que participaria comigo num dueto na bela canção O Peixe Nada, de Mazinho Viana com letra do poeta cordelista Antônio Francisco. A dupla de poetas da APOESC, Gilberto Cardoso e Hélio Crisanto arrasaram no começo. O #ForaTemer foi garantido pela plateia presente sem arrego.

CIMA C Novos IV

Com Wescley J. Gama, em Currais Novos 

A data seguinte, 10 de março (21h) era a vez de Currais Novos. Já havia me apresentado antes na cidade e minha ligação com a produção artística do lugar já é antiga. Fui precedido por um recital poético efusivo, com participações abertas aos presentes, incluindo Edrisi Fernandes e Paula Érica, que foi quem armou para que tudo acontecesse por lá. Wescley J Gama participou das músicas iniciais do show que fiz e cantamos dele e Iara Carvalho a bela canção ‘Abelhas’.

CIMA Caicó IV

No Salão Nobre, em Caicó 

11 de março foi a data reservada para Caicó. Há tempos já intentava me apresentar na cidade e quem tornou isso possível foi um camarada que só pude conhecer pessoalmente ao chegar lá: Alexandre Muniz. Logo seguimos para a Rádio Caicó, pra uma entrevista no programa Mesa Redonda, e após esse primeiro compromisso, um pouco mais tarde, fui levado pelo Alê até o Salão Nobre (da antiga prefeitura), onde aconteceria o show. Os poetas Edcarlos Medeiros e José Fernandes deram as boas vindas ao público com um recital de poesia popular espetacular.

Cima em Cruzeta - radio

Cruzeta (com Ivanildo Dantas)

Domingo, 12/03, às 17h, na sede da Banda Filarmônica de Cruzeta, fomos antecedidos por uma chuva torrencial, dessas de lavar até a alma sertaneja, e a alegria que as pessoas da cidade expressavam era nítida e genuína. Por lá, Bembem Dantas, maestro da banda local é que foi o elo. Através dele, que cedeu o salão para a apresentação, entraram em cena outros apoiadores, entre os quais estavam o Ivanildo Dantas, diretor da rádio eletrônica Três Rios, que transmitiu tudo pela web.

Nesse final de semana (25/03) irei fazer uma viagem para fazer articulações no Oeste, que ficou todo de fora. Vou à capital da região, Mossoró, para contato com grupos e/ou pessoas que podem abrir alternativas ao fato de que uma cidade com esse porte não deve ficar de fora da rota do CIMA no ano que vem. Também estou aproveitando a ocasião para abrir grupos virtuais que mistura artistas e produtores e que visem amadurecer a ideia do circuito, implantando-o e profissionalizando-o.

matriz p cartaz MacaíbaE no último dia do mês faço o encerramento da turnê no auditório da Casa de Cultura de Macaíba, fechando com uma alegria imensa essa experiência maravilhosa. Agradeço carinhosamente a todos citados aqui ou em postagens posteriores sobre o assunto e sigamos firmes em frente.

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Bico na Câmara

13 agosto, 2016

Foi lançada por esses dias, em convenção partidária, as candidaturas do PT à prefeitura de Natal. Homologados os nomes de Fernando Mineiro para prefeito e entre os vereadores o de Rodrigo Bico.

Bico, como o chamamos os que somos seus amigos ou mais próximos a ele, vai disputar pela segunda vez uma vaga na câmara municipal de Natal, e desta vez sua probabilidade de ser eleito se ampliou consideravelmente, já que alcançou a primeira suplência no pleito anterior e se expôs de forma substancial em ações de grande alcance, tendo inclusive assumido os destinos da FJA por alguns meses na gestão de Robinson Faria.

Há também uma forte adesão dos segmentos artísticos à inclinação de Rodrigo Bico a representar o chamado setor cultural, que é amplo, diversificado e vai muito além da arte, convenhamos. Mas chamo a atenção para discutirmos alguns aspectos merecedores de questionamentos e creio que devemos aproveitar o ensejo da campanha para colocar em pauta.

Nesse breve texto, que não se prestará a encadear estes pontos, eu simplesmente desejo lembrar antes de tudo, e a todos, que pelo simples fato de mantermos uma relação de proximidade com um candidato, isso nem sempre deve implicar em acompanha-lo cegamente em sua campanha. Aliás, para mim, quanto maior o grau de proximidade com o político, devemos insistir no aprimoramento de um projeto para o mandato, buscando esgotar o dimensionamento das propostas, de que modo elas irão impactar o eixo de nossa comunidade e de que forma poderemos contribuir com sua formatação e posterior execução.

Nós, brasileiros em geral, temos errado muito nesses últimos anos quando o assunto é esse: o voto. A prova está aí, com o congresso, assembleias e câmaras municipais recheadas de vergonha, pura vergonha. Gente despreparada e partidos conchavados com os mais espúrios valores, farta corrupção e falta de caráter, resultando no desastre que se abate sobre nós nesta hora penosa.

Por isso, no meu entender, quem desejar participar desse processo eleitoral, seja como candidato, cabo eleitoral ou simples eleitor, deverá adotar uma postura crítica incisiva, vigilante, questionadora, contribuindo para a própria formação das novas lideranças eleitas, iniciando a renovação de um ciclo que tem que por o país num outro caminho, e não mais nos deixar à mercê dessa miséria cíclica, que tem feito com que novas eleições não signifiquem qualquer mudança.

No caso de vir a ser eleito, Bico será um dos vereadores mais jovens da câmara municipal, certamente, e o mandato poderá ter uma atuação diferenciada em relação a políticas públicas para a juventude, que naturalmente poderá imprimir uma dinâmica muito forte ao que vier a acontecer. É preciso também que a própria militância cobre dos seus partidos mais independência para seus representantes legislativos, que as executivas sejam mais flexíveis em relação às necessidades dos filiados e atendam de fato aos anseios dos que desejam mudanças e apostam nessas mudanças.

Virão?

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ser tão potiguar itajuba memorial

Yrahn Barreto
é atualmente um dos artistas potiguares mais atuantes na cena da cidade.

Sua música, de alta qualidade, construída em solidão ou com parcerias, vem sendo apreciada e divulgada nas suas incursões pela noite natalense. Autor de 2 CDs, Geração e Ao Gosto dos Anjos, Yrahn faz na próxima sexta o encerramento da temporada Ser Tão Potiguar, às 21h30 no Memorial Itajubá – Espaço Cultural, situado à Rua Chile, 63, na Ribeira.

No repertório dessa temporada junina estão as suas melhores músicas gravadas, além de peças inéditas que devem integrar seus próximos registros, somadas ainda a versões especiais para outros autores daqui e de fora que são de alguma forma importantes para sua formação musical e revela a influência de sua relação profissional com a linguagem na qual trabalha.

A ocasião, mais uma que se abre ao público apreciador da produção musical da capital, está personalizada com características que identificam os festejos juninos próprios dessa estação, e conta com detalhes como sorteio de balaio e demais trejeitos que são comuns ao período. A grande onda é que, também como já é costume, Yrahn vai se apresentar sozinho e usará como recursos percussivos batuques e efeitos eletrônicos pra fazer o povo dançar e arrastar o pé. Como foram todas as sextas-feiras de junho, a próxima agora é justamente a noite do dia de São João.

O memorial oferece um ambiente diferenciado para a proposta, que é a valorização do trabalho criativo do artista local. O espaço cultural, acolhedor e amplo, dispõe de uma sala para galeria de artes, bar e uma área externa condizente com o perfil do seu mais ilustre ocupante: a casa foi residência de Ferreira Itajubá, um dos poetas referenciais da literatura norterriograndense. O lugar também vem sendo ocupado pelos músicos da cidade às primeiras quintas do mês para um encontro informal e artístico chamado Quintal Autoral.

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CHUVA DENTRO DO MAR

4 junho, 2016

ganh 3 midwayMais um edital público foi aberto e fechado em Natal para o setor musical.

Dessa vez tratou-se do recurso para custear a cerimônia da passagem da tocha olímpica.

Mesmo que extemporâneo, o concurso (que ao fim das contas é o que um edital público é) revela mais uma vez em seu resultado que Valéria Oliveira e Krhystal Saraiva se saíram com as melhores pontuações. Parabéns às duas e aos seus trabalhos, consistentes e aguerridos.

Porém, não nos deixa de chamar a atenção alguns relances que poderiam suscitar algumas reflexões, e é o que quero fazer com esse artigo, sem demérito do trabalho de quaisquer artistas nele citados diretamente, ou mesmo a qualquer outro que porventura venha a se sentir incluído. O foco aqui não é discutir arte e trabalho de artistas. Longe disso. Não é algo que costumo fazer, nem mesmo numa esfera privada, pois nutro um profundo respeito pela produção criativa de muitos artistas do lugar.

Explicado isso, antes de mais nada também convém salientar que o que abordo aqui é o edital público, da esfera pública, ou àqueles que são feitos pelas empresas privadas mas com recursos da renúncia fiscal, o que dá quase no mesmo. Chamadas públicas feitas com o dinheiro próprio do caixa da empresa, claro, podem muito bem serem direcionadas para onde lhes é conveniente.

Mas não é o caso. Estou tratando aqui de dinheiro meu, de dinheiro do contribuinte, onde certamente podemos (e devemos opinar), sem receio de que ao fazermos isso estejamos invadindo um terreno sacramentado pelo mercado, o que já é outra história. O que me interessa, enquanto cidadão e músico, é a abertura de possibilidades que possam no mínimo permitir que o processo de proposição e avaliação de uma chamada pública, principalmente as que forem conduzidas por órgãos e entidades públicas ou mistas (como é o caso do Sebrae), possam oferecer as condições apropriadas para uma análise criteriosa e justa, mas também ampla, diversificada, garantindo no seu resultado uma maior representatividade de conteúdos e propostas.

Com toda franqueza, não é o que vem acontecendo aqui. A formação das comissões avaliadoras, que são ao fim responsáveis pela definição de quem entra e quem sai estão sendo montadas sob um mesmíssimo perfil, geralmente com os nomes de sempre, e algumas vezes com pessoas que tem relações diretas com os trabalhos selecionados. Isso é imoral. Pode até ser legal, mas é imoral.

Embora diante de todo o rito das várias fases, sabemos que é a etapa classificatória quem define o resultado final. E é aí que reside a questão: se não forem constituídas comissões com perfis diferentes, com integrantes diversos que possam representar outras facções ou segmentos específicos, eles nunca estarão na lista vencedora e esta trará sempre mais do mesmo. É a isso que estamos assistindo, já por muito tempo: os resultados em sua maioria são favas contadas.

Infelizmente, com a cristalização desse modelo, muitos outros bons artistas estão deixando de participar da concorrência. No carnaval, por exemplo, se tentou até um boicote ao modo como a condução da chamada pública foi feita. Eu mesmo, apesar de ter sempre procurado apresentar propostas, atualmente estou mais interessado em questionar essa metodologia e investindo minha energia nisso, pois do que adianta participar de editais que sucessivamente apresentaram resultados tendenciosos?

Para mim, quem perde mesmo de verdade é a cidade, que fica sempre com essa pecha de que há arrumadinhos no que faz. E perde de mostrar ao seu público a diversidade musical de que se constitui. Também não cai bem para a prefeitura, que deveria zelar pela lisura de sua administração e comete acintosamente desrespeito aos pleitos públicos, travestindo de processo democrático algo que exaustivamente vem sendo criticado por significativa parte de seus artistas. Só não vê quem não quer. E ainda por cima, tem descartado o apelo que vem sendo feito sistematicamente para que esta situação seja revista e ajustada. Pois qual será outra a razão para que a Funcarte não tenha aceitado mais a participação de membros da sociedade civil organizada dentro dessas comissões?

A resposta dorme no escuro.

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