RN Caduco  

13 maio, 2015

RNC           

             O RN Criativo faz agora um ano.

            O escritório, implantado numa parceria do MinC com a FJA, tem como função trabalhar as expressões culturais para atingirem patamares de capacitação profissional que tornem as atividades mais alinhadas aos conceitos da economia criativa, deixando os agentes culturais mais bem preparados para lidar com maior desenvoltura na viabilidade e execução dos seus projetos, estimulando as cadeias produtivas segmentadas da arte a fortalecerem suas atuações através de um viés cada vez mais sustentável.

            Para tanto foi contratada há um ano, após cuidadosa seleção, uma equipe de 16 pessoas, entre as quais estou eu. Mesmo escaldados pelas costumeiras dificuldades geralmente enfrentadas pelos que prestam serviços ao setor público, depositamos a esperança e até alguma expectativa de êxito em relação ao que devia ser feito, pois o perfil dos profissionais indicava a disposição para o alcance das metas a serem batidas nos 365 dias do contrato.

            Foi não. Apesar da pompa cerimonial com que foi aberto, incluindo a presença da então ministra Marta Suplicy, o RN Criativo adquiriu as máquinas e os móveis, aboletou-se na sede do Cedoc, realizou seu planejamento inicial, deu o pontapé nas suas primeiras ações, até que quando precisamos receber nossos salários, fomos frustrados pela irresponsabilidade da instituição conveniada do estado, leia-se Fundação José Augusto (FJA), que à época tinha ainda o agravante de estar sob a tutela da famigerada Secretaria Extraordinária de Cultura, assim traduzida pela sua secretária extraordinária na figura ainda mais extraordinária da Sra. Isaura Rosado. Sem depositar a contrapartida de 300 mil reais num convênio de um mi e meio, o Rio Grande do Norte deu cartão amarelo para o projeto que ele próprio havia se dado ao trabalho de propor ao ministério parceiro, inviabilizando-o em sua plenitude.

             Ficamos então, pelo menos até o fim da fatídica gestão extraordinária, amarrados a uma entidade que boicotou nossa missão, trazendo por conseguinte uma série de transtornos em relação às nossas vidas, submetidos ao humilhante vexame de 11 meses sem salário, expostos aos mais desagradáveis problemas que uma situação assim acarreta.

             Com a nova gestão da FJA, encabeçada por Rodrigo Bico, o RN Criativo passou a ser tratado com outro olhar, e a partir do seu envolvimento pessoal foi garantido o repasse da  contrapartida extraordinariamente negada. No entanto, com as mudanças também no Ministério da Cultura, ocorridas em função da troca no comando do ministério, ainda estamos engalhados numa sucessão de acontecimentos que continua a nos manter reféns de um pesadelo, este que por si só traduz literalmente a importância que a cultura recebe dos órgãos oficiais potiguares.

             Sempre vista como um ônus, a cultura artística no RN tem recebido historicamente um grau de investimento que beira o zero vírgula zero. Quando muito, o dinheiro destinado a ações pontuais nessa área acaba sendo remanejado para outras, com a desculpa frequente de que estas justificam a necessidade emergencial, como se a cultura não fosse um bem ativo, capaz de instrumentalizar benefícios à educação, à saúde e à não-violência. Sem contar que, em matéria econômica, embora ainda mal mensurada, estamos diante de uma atividade que incrementa dezenas de milhares de empregos diretos e indiretos, desde o vendedor do cachorro quente na porta do show até o especializado fornecedor de equipamentos para a gravação de um espetáculo, movimentando cifras astronômicas que fazem circular muito dinheiro, diversão, lazer e alegria.

             Mas invariavelmente, a sociedade, através dos legisladores, gestores e administradores públicos preferem pagar uma conta mais alta, com juros e correção, do que simplesmente optar por um caminho mais simples, direto e sadio. Nossa experiência decepcionante, aqui relatada, que o diga.

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RN Criativo

21 outubro, 2014

Protesto do RN Criativo na abertura da Cid da Criança

Protesto do RN Criativo na abertura da Cid da Criança

Implantado em Natal sob convênio entre o Ministério da Cultura (MinC) e a Fundação Jose Augusto (FJA), o RN Criativo foi aberto a 22 de maio para efetivar uma ação na área da Economia Criativa, atendendo a uma demanda de expansão dessa área e o fortalecimento do Sistema Nacional de Cultura. A equipe contratada para a execução dessa meta, selecionada por uma comissão chefiada pela SEC (Secretaria de Economia Criativa), envolve em sua maioria profissionais da área cultural com vasta experiência no campo em questão, tendo se empenhado desde o primeiro momento em cumprir os objetivos desse trabalho.

No entanto, após cinco meses, infelizmente, sem depositar a contrapartida devida (no caso, 300 mil de hum milhão e meio), a Fundação Jose Augusto compromete de forma desrespeitosa e acintosa mais um projeto relevante para a comunidade artística e produtiva do estado, justamente o contrário do que justifica para existir. Afinal, sem sequer gastar pouco mais de 30 mil/mês, durante um ano, não será mesmo possível capacitar novas dezenas de agentes culturais espalhados por todo o vasto território potiguar, todo ele repleto de artistas por demais carentes de novos saberes que os incluam entre os que estejam aptos a gerirem suas ideias com clareza e desenvoltura. Pois este foi um dos pilares fundamentais para a abertura do escritório em Natal, que mesmo ao revés desse descaso com a cultura, ainda chegou a realizar importantes eventos como palestras, oficinas, credenciamento de agentes culturais e atendimento em consultorias, além de articulações com parcerias que dessem conta da perfeita execução deste convênio.

Tudo agora a um passo de ser descartado pela nossa fundação de cultura que ameaça sustar o acerto entre ela e o ministério, segunda alega, por falta de recurso para honrar o contrato. Será mesmo? Não é conveniente que aproveitemos para indagar à instituição qual sua real implicação com o nosso desenvolvimento cultural? Qual a razão de sua função nesse contexto? A única biblioteca de Natal sob responsabilidade pública ficou fechada durante toda essa gestão, as Casas de Cultura são uma política de fachada, o Plano Estadual de Cultura sequer foi enviado ao legislativo para ser apreciado ou votado, o Fundo Estadual de Cultura é um engodo, e nem mesmo o Agosto da Alegria, cartão-postal da famigerada Secult/RN deu em alguma coisa, a não ser num tremendo fiasco, ruborizador, pra quem tem vergonha na cara.

Por outro lado, alguns de nós, integrantes dessa equipe do RN Criativo, estamos submetidos a uma situação embaraçosa, passando por dificuldades circunstanciadas em virtude dessa roubada em que fomos enfiados por uma entidade de dúbio caráter: o de ser uma instituição incumbida de promover a cultura desse estado ou apenas um cabide de empregos com feições eleitoreiras.

Apesar de tudo, ainda assim, estamos crentes numa solução plausível, e que a partir de nossa mobilização possa surtir numa negociação que chegue a bom termo entre partes envolvidas. Quem dera!

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