O GRANDE PAÍS DO NORTE
14 março, 2026
Tirem as mãos do meu país e nos deixem em paz
Não queremos fazer parte do seu jugo sujo
Nós queremos continuar como povo livre
Já não nos basta essa chuva de chamas
Cortando os céus do solo americano?
Aqui não é a América do cu do mundo
E muitos nem sequer esse seu brasão usa
Também somos a América
Somos a América do Sol
Somos a América do Sul
Hoje estamos assistindo a mais um dia
Com notícias de que a matança não acabou,
Pilhando e saqueando pra financiar mais mortes
Ainda estamos assistindo outra vez
Mais um dia pobre sobre construir a paz,
Rico em gastança com verbas para a guerra
Quem vai se calar perante as ofensas
A este continente ocidental?
Aqui não é a América do cu do mundo
E muitos nem sequer usa esse seu brasão
Também somos a América
Somos a América andina
Somos a América latina
Um grande mamífero branco
Sentado à mesa do salão oval
Está a projetar vermes luminescentes
Nos sulcos escuros das crateras lunares
Um grande mamífero branco
Trajando a cruel imagem do mal
Sonha com um banho sanguinolento
Nos lagos vulcânicos das selvas seculares
E sim, a casa é branca
De cor imaculada na fachada
Mas, lá atrás, no fundo do quintal
Está repleta de mortos sujos de sangue
Esso A.
MÚSICA AUTORAL POTIGUAR (MAP)
6 outubro, 2025
A música autoral potiguar está protagonizando uma experiência há muito aguardada pelos que a fazem. Trata-se da Mostra de Cantautores da Música Potiguar, que vem se desenrolando desde julho passado no palco do TAM (Teatro Alberto Maranhão), centenário teatro localizado na Ribeira, em Natal, capital potiguar.
Estreada no início do semestre, a Mostra se compõe de seis edições, uma a cada mês (julho a dezembro), com início pontual às 19h30. Cada evento conta com duas atrações e une diferentes gerações de autores e intérpretes, com repertório voltado para a produção musical própria, num espetáculo sonoro que vem demonstrando a força de seu elenco.
A Mostra de Cantautores da Música Potiguar é uma proposição da Rede Potiguar de Música (RPM), que tem como missão contribuir com a estruturação de uma política pública segmentada para a música feita no estado. A temporada foi antecedida de uma Conferência Livre de Música, realizada em parceria com o Comitê de Cultura Minc/RN, de onde extraímos um documento final com um diagnóstico razoável do nosso panorama, o que certamente nos ajuda a enxergar com mais clareza e precisão o terreno onde vimos pisando nos últimos tempos.
Nosso desafio agora se volta para a ampliação de uma atuação melhor organizada por parte da Rede, que mesmo sendo uma entidade informal, segue articulando novas vias que possam fortalecer seu propósito. Novas incursões vêm sendo feitas para que outros municípios do RN tomem conhecimento do que estamos experimentando por aqui, principalmente os que estão na região metropolitana.
Também estamos buscando tratar de algumas temáticas recorrentes em nossa realidade, tais quais a execução pública de nossos fonogramas através das emissoras de rádio daqui, que basicamente se negaram historicamente a nos tocar, afora alguma excepcionalidade. Tem ainda o descaso institucional com a nossa memória musical, deixando nossa produção relegada ao esquecimento, sem qualquer cuidado com esse patrimônio. São muitas e antigas as reivindicações, atingindo desde os músicos da orquestra até os profissionais independentes. Sempre foi assim.
Temos a intenção de continuar com essa atuação da RPM, que já tem 15 anos, e aprofundar a interlocução com nossas comunidades (nosso povo) e até com algumas de nossas instituições, visando alcançar prioritariamente uma maior proximidade com quem trabalha e vive no chão potiguar. Com a Mostra, por exemplo, estamos conseguindo viabilizar uma interação escolar bem proveitosa, trazendo professores e estudantes para assistirem às apresentações musicais e estimulando a todos um maior conhecimento das obras e dos artistas.
Paralelamente, acompanhamos com grande interesse a mobilização nacional provocada pelo Fórum Nacional de Música (FNM), que vem sendo feita através de audiências públicas, estudos de dados e outros diversos instrumentos, com o fim de criarmos a Agência Nacional de Música, apoiada por um fundo setorial, dando conta de regulamentar o campo da música no país, protegendo os interesses dos criadores e estabelecendo uma relação mais justa entre estes e os consumidores.
MOSTRA DE CANTAUTORES DA MÚSICA POTIGUAR
1 julho, 2025
A Rede Potiguar de Música (RPM) promove nesse segundo semestre do ano a Mostra de Cantautores da Música Potiguar, a acontecer com uma edição mensal entre julho e dezembro no palco do TAM – Teatro Alberto Maranhão, em Natal/RN.
A programação tem início no próximo dia 09 de julho, às 19h30, com as apresentações do Trio Toró e Esso Alencar, responsáveis pela estreia dessa temporada que tem como objetivo levar ao palco mensalmente duas atrações, caracterizando-se como uma mostra musical intergeracional, que possibilita o encontro de uma nova geração de compositores e intérpretes radicados no Rio Grande do Norte com outros artistas mais antigos do estado ainda em atividade, permitindo uma maior interação entre diferentes gerações da produção musical potiguar.
Pensada para chamar a atenção em defesa da criação de um programa de fomento para a música autoral produzida no estado, a atividade quer ser incorporada ao calendário cultural da capital e é fruto de parceria entre o Teatro Alberto Maranhão e a Rede Potiguar de Música, que atua também fazendo a coordenação executiva do programa, conduzida em cooperação com outros diversos agentes culturais, incluindo os próprios artistas.
O projeto se destina ainda a promover uma interlocução necessária entre setores estratégicos para a divulgação da produção musical autoral potiguar, envolvendo o campo educativo, buscando a formação de público para a arte entre estudantes de todos os perfis, procurando uma aproximação entre o conteúdo produzido localmente e o vasto contingente a ser alcançado que se encontra nessa faixa de aprendizado.
Outros propósitos também estão sendo alinhados com foco na profissionalização do músico, dando-lhe a oportunidade de trabalhar alternativas sustentáveis ao desenvolvimento de suas carreiras.
As senhas estarão disponíveis antecipadamente nas lojas Sem Etiqueta e na Discol, e também já podem ser adquiridas via internet, através da plataforma lincada em https://outgo.com.br/mostra-cantautores-potiguar_esso-e-trio-toro.
MAP – Música Autoral Potiguar
30 junho, 2025

Reunindo farta produção do repertório autoral potiguar, os músicos Esso Alencar e Iury Matias apresentam versões personalizadas para canções de Carlos Zens, Chico Elion, Gilson Vieira, dentre outros, mostrando a riqueza criativa destes e outros compositores e incentivando uma maior apreciação destas obras no presente para promover um melhor alcance junto ao público atual.
Concebida como uma imersão sonora interativa, no formato de uma palestra musical, o recorte temporal aborda um século do que foi produzido pelos artistas nascidos ou com suas carreiras desenvolvidas no RN, enumerando alguns dos nomes significativos deste período.
No palco, entre as canções, são projetadas imagens que contextualizam o roteiro. O concerto conta com a participação da atriz Bárbara Cristina, que interpreta textos e fragmentos de outras obras referenciais de cada época.
A atividade encerra a programação da Conferência Livre de Música, realizada pelo Comitê de Cultura MinC/RN em parceria com a Rede Potiguar de Música e acontece no TECEsol, na próxima sexta-feira, 04, de julho, às 19h.
A LUTA CONTÍNUA
7 janeiro, 2025
A RPM (Rede Potiguar de Música) nasceu em 2010.
O lançamento se deu na Casa da Ribeira, em evento com vários parceiros, incluindo o Sebrae e o público interessado. Sua intenção inicial era acompanhar outros movimentos que vinham se organizando no país àquela altura, para que nós potiguares não ficássemos muito isolados nessa esquina distante do Atlântico.
Em 2011 criamos a partir da Rede a COMPOR – Cooperativa da Música Potiguar. Através dela participamos de diversas ações, dentre as quais cabe citar os shows coletivos Uníssono (cantado e instrumental), o lançamento de alguns CDs, além da realização da Semana Cultural da Música Potiguar.
Passado todos os redemoinhos políticos e pandêmicos, cá estamos nós outra vez, acompanhando o movimento de retomada do ambiente cultural brasileiro, que vem se reconfigurando com a recriação do Ministério da Cultura e suas ramificações, embora num contexto muito desafiador e crítico ainda.
Nessa perspectiva, realizamos no início de outubro passado a II Semana Cultural da Música Potiguar, com uma programação extensa e estratégica, iniciada com um belíssimo momento, que foi a mostra coletiva de música autoral, intitulada Rede Potiguar dá Música (Oito da Noite), no palco do centenário Teatro Alberto Maranhão, aberto à população, sem cobrança de ingresso e com a presença de alunos e professores da rede pública de ensino. Este formato traduz a proposta do Programa de Fomento à Música Autoral Potiguar, que reivindicamos para ser incorporado ao calendário cultural do RN, em programação continuada e com periodicidade definida, inserção no orçamento público e lei.
A Semana foi continuada com oficina, com uma assembleia do Sindicato dos Músicos/RN, com uma interessante interlocução da Rede com a Escola de Música da UFRN, e fechada com o esfuziante sábado musical do Choro do Caçuá, na praça central Pe João Maria. Tudo faz parte de uma estratégica mobilização do segmento musical para um nível mais aprofundado de institucionalização de uma política pública para o segmento, pautada na autoralidade, estética e profissionalismo.
Neste 2025 a RPM inscreve uma trajetória de 15 anos e peticiona publicamente às instituições, mesmo as do campo privado, uma experiência no sentido de um investimento no capital musical autoral potiguar. O acervo é relevante, ele apenas não se projetou tanto quanto precisa para fora, e nem para dentro (salvo algumas exceções, de Grafith a Du Souto).
E por que não? Algumas respostas temos mais fáceis: a cadeia de rádio nos invisibilizou, e continua assim, (com uma ressalva para a FM Universitária). As outras emissoras tocam alguns artistas com quem tem seus acertos, mas a maior produção que fazemos nunca alcançou espaço considerável para ampliar o raio de divulgação necessário. A TV, pior.
Depois, nunca fomos capazes de estruturar uma política pública para a música, mas o momento exige e é propício. Viram o que a música fez na pandemia?, lembram? Seu papel social transcende uma faixa no spotify. Ela irá repercutir na saúde pública, no fator econômico (com força), na educação em sala de aula, até numa melhor formação cidadã (a depender do seu conteúdo, claro).
Vejamos o exemplo de Natal, a capital do RN. Realiza editais episódicos para festejos anuais (natal, carnaval, são joão). Inclusive não fez chamada pública para a programação natalina recente, dissimulando sua atuação com um cadastro anual de artistas e bandas, num processo sem clareza e muito menos objetividade e que, enfim, … Não se admite nenhum retrocesso nessas já tão poucas iniciativas que conquistamos socialmente nos últimos anos.
Aliás, é preciso mais. É preciso que haja um programa de fomento à música localmente, com música viva nos espaços púbicos, estímulo ao seu profissionalismo e a permanência dessa linguagem como fonte de vida e alimento para um contingente de seres humanos que se dedicam integralmente a este trabalho. Que isso seja possível aqui, em SonGA, em Parná, em Extremoz, em Currais, em Patu, em cada lugar.
As leis Paulo Gustavo e Aldir Blanc mostram em números o que dá pra fazer. Embora os gestores ainda estejam apanhando muito, se percebe muito mais trabalho na ponta, com razoável penetração nas comunidades e setores historicamente excluídos.
Não podemos residir nesse atraso. É inegável que precisamos de projetos nessa área, com urgência. A música é um setor artístico culturalmente muito relevante para o nosso povo, para qualquer povo, na verdade. Mas é muito negligenciado pelo estado brasileiro, em todos os níveis. O Rio Grande do Norte se ressente desse descaso, sem desenho político estruturado para uma cadeia tão produtiva. Qual é o papel de um Dorgival Dantas como embaixador apenas decorativo de uma interlocução com a música, que na verdade nunca existiu na direção dos seus autores? Atendem mais a uma indústria do que propriamente às necessidades que temos de fato, não?
Até mesmo no contexto nacional, a música recebe uma divisão na Funarte, incapaz de gerir todo o potencial que oferecemos ao país. Há em movimento uma proposta unificada no Brasil pelos músicos organizados: a criação da Agência Nacional de Música e um fundo setorial, que viabilizem uma cadeia estruturante para proporcionar à música brasileira a visibilidade que ela merece, interna e externamente.
Que este ano novo reforce a nossa luta em busca desses objetivos e nos permita caminhar numa plataforma mais justa para os que exercem essa atividade profissional tão singular, e cada vez e sempre mais importante para o mundo.
Me visite no Sítio!
CONCERTO POTIGUAR
8 dezembro, 2024
Em seu novo concerto, Esso apresenta um repertório de canções potiguares que marcaram época ao longo das décadas, até a atualidade. As músicas de nomes expressivos registram um traçado histórico da produção autoral feita no RN.
São levadas ao palco algumas das referências da criação musical do estado, incluindo sua diversidade e beleza, contemplando categorias e gêneros distintos, entre compositores e intérpretes, antigos e atuais.
Apoiado numa pesquisa sólida sobre o panorama da música potiguar, a proposta do Elefante Elegante vem se tornando possível com um trabalho criterioso, baseado nos dados levantados a partir da intenção de construir uma memória da produção musical local.
Um certo tipicalismo contribui para uma textura sonora particular, como uma nossa língua, nosso jeito, nossas peculiaridades. O percurso sonoro abrange serestas langorosas do século passado misturadas a criações mais modernas e atuais, diversificando os autores e intérpretes que tem seus nomes inscritos na musicografia norterriograndense.
Partindo desses princípios, aponta-se nesse roteiro a primazia de Serenata do Pescador (Praieira) e outras canções famosas que emprestam essa faceta litorânea aos primeiros êxitos populares inscritos na nossa biografia musical. Outros referenciais e personagens também são lembrados em récitas interpretadas pela atriz Bárbara Cristina, do Grupo Teart de teatro, que faz participação especial em cena.
A estreia desse trabalho tem como palco o auditório Oriano de Almeida, na Escola de Música da UFRN, às 17h da próxima segunda-feira, dia 09 de dezembro. A realização é da FEL Produções de Arte através da Lei Paulo Gustavo, com o apoio do Ministério da Cultura e da Prefeitura Municipal de Natal.
A entrada é gratuita e aberta a toda a comunidade externa.
+ infos
Bárbara Cristina
(84) 98861 3318
felprodarte@mail.com
http://www.sitiodoesso.com.br
PONTE SONORA
27 novembro, 2024
PONTE SONORA
intercâmbio musical RN/PB
A programação artística do Ponte Sonora – intercâmbio musical RN/PB vai fechar a temporada realizada com sucesso em 2024 apresentando nessa quinta 28 (19h) o grupo vocal Voz Ativa, da Paraíba, recepcionado pela Camerata de Vozes do RN. O evento acontece no palco da Cervejaria Resistência, localizada em Ponta Negra, à Rua Leonora Armstrong, 35. A entrada é gratuita e está condicionada à lotação do local.
Idealizado pelos músicos Esso Alencar (RN) e Pedro Osmar (PB), o projeto se tornou realidade a partir da atuação de Naldinho Freire, ex-representante da Funarte para a região Nordeste entre 2011 e 2016, membro histórico do Musiclube da Paraíba, ao lado de Pedro e o irmão Paulo Ró, Adeildo Vieira, Totonho, Milton Dornelas, Chico César entre outros. O grupo chegou a se apresentar em Natal com alguns remanescentes na abertura da temporada, em agosto passado.
Esso fez a ponte entre o Musiclube e a Rede Potiguar de Música (RPM), que integra desde a sua fundação, em 2010. Se apresentou em João Pessoa no mês da estreia, confirmando o intercâmbio e abrindo esse período experimental da proposta, voltada para um diálogo musical entre as produções artísticas da Paraíba e do Rio Grande do Norte, proporcionando aos públicos das duas capitais o encontro entre a produção musical autoral das músicas paraibana e potiguar. A temporada estreou em agosto passado e seguiu até novembro, com uma edição mensal em cada cidade.
Ponte Sonora é um projeto autogestionado, viabilizado através de parcerias articuladas pelo Núcleo de Produção Cultural Cooperada (NPCC), que incluem a FEL Produções de Arte, a Casas da Flor, Cida Lobo & Edinho Oliveira, Bardallos, Soul Hostel, Eletromusic Pub, Café da Usina, Secretaria de Estado da Cultura da Paraíba e Fundação José Augusto, além da dedicação de alguns artistas paraibanos que integraram o Musiclube da Paraíba,
Realizado com uma edição mensal em cada local, a temporada incluiu diversos nomes que estão em atividade dentro da produção musical do seu estado, conferindo qualidade e senso estético ao programa:
AGENDA 2024 (piloto)
Natal/RN
Agosto – Musiclube da Paraíba
Setembro – Adeildo Vieira
Outubro – Tadeus Mathias
Novembro – Grupo Voz Ativa
João Pessoa/PB
Agosto – Esso Alencar
Setembro – Cida Lobo & Edinho Oliveira
Outubro – Rousi Flor-de-Caeté
Novembro – Camerata de Vozes






