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É claro e evidente que temos uma prefeitura nova.

Seu novo gestor, público, tem pendores mais afeitos ao show (literalmente).
Suas ações, notadamente as que vem dando o tom de sua administração no tocante à cultura, foram enfatizadas com um banho de arte no Beco da Lama, berço da boemia natalense. Para coroar este direcionamento foi lançado um edital, objetivando compor uma programação para aquela área do centro. Eles aguardam pelos artistas e produtores selecionados, a quem será entregue um valor de R$ 2000 (dois mil reais), através do qual será necessário locar som e luz, um praticável e uma tenda, auxiliar de palco, operadores e, se sobrar algum troco da verba, arcar com uma ajuda de custo para os companheiros do palco, os músicos. Ah, tem que tirar o imposto também, para alguns.

Claro!, estou falando de música, minha linguagem.
Mas a programação é aberta a outras, para onde o auxílio poderá ser mais razoavelmente aplicado, como Marcelo Veni me explicou.
Agora, pra música não.
É pouco.

Todos sabemos os custos relacionados com estúdio, instrumentos, acessórios, ensaios, toda a dedicação empenhada para uma boa apresentação, num nível profissional. Isso envolve uma meia dúzia de gente trabalhando, incluindo aí um quarteto de músicos e dois auxiliares, um na produção e outro na área técnica.

Pois bem!
Hoje começou a ser anunciada a programação junina de Natal.
A novidade é o Zezé de Camargo e o irmão, inclusive uma atração contestada muitas vezes por onde passou em festas do período no Nordeste. Gostos à parte, o que quero destacar é a imensa diferença entre o tratamento que estão recebendo os artistas consagrados daqueles que trilham suas carreiras no chão da cidade. Não sei qual será o cachê da dupla, depois aparece. Mas eu tenho certeza que com o dinheiro empenhado para uns dois únicos shows de figurões em Natal, nós poderíamos desenvolver uma política pública para a música produzida localmente.

A cidade precisa ser decente com quem constroi sua música.
Ela, a música, é uma das principais identidades de um lugar.
O respeito – ou a falta dele – que a gestão cultural do município está dando àqueles que estão se dedicando à composição do seu repertório, tem ficado muito evidente ao longo dos últimos anos (se não já foi sempre). Infelizmente. Os resultados alcançados com a mobilização do segmento musical em suas tentativas de construir e contribuir com suas pautas vem sendo sistematicamente descontinuados, desacreditados.

Já travamos batalhas aguerridas com a Rede Potiguar de Música, o Fórum Permanente de Música do RN, a própria COMPOR, a Cooperativa da Música Potiguar. Não há como negar essas iniciativas como expressões de uma vontade dos artistas de participar de modo mais organizado dessas pautas relativas à construção de uma política voltada para a música que fazemos. Mas não temos tido êxito. As poucas conquistas foram aos poucos sendo destratadas. Conseguimos até representação nas curadorias que selecionam os artistas para os editais. Mas não temos mais.

Enfim, diante de uma situação tão caótica, tão distante do desejo daqueles que se decidiram por aqui viver e trampar com sua arte, embora muitas vezes nos entristeçamos, há também um ponto de perda que é da própria cidade. Ela mesma tem prejuízos muito nocivos quando relega a si mesma, na sua cultura e na sua política, nos tornando estrangeiros, sem reconhecer dignamente o valor do nosso trabalho, nos negando a todos o direito sagrado da arte e a sensibilidade.

Todos perdemos nesses últimos tempos. Mesmo os que ganharam.
Essa escalada de violência por que passamos não se reflete em vão.

Esso (cantautor)

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A despeito de Bolsonaro e de outros párias por aí, como Dória em Sampaulo, a eleição de Fátima Bezerra para o governo do RN trouxe um significado muito distinto para o estado, pois se trata historicamente de elevarmos à condução do destino político potiguar uma pessoa de origem popular para o cargo máximo da administração pública. Sem contar com as comemoradas derrotas de cacifes da oligarquia, que ficaram de fora de suas pretensões de continuarem como representantes legislativos, o que não se confirmou.

Nessa fase de transição, quando são levantados os dados e dadas as condições para o novo exercício a partir de janeiro, estão sendo também anunciados os nomes do secretariado. No segundo escalão, sem maior alarde, vão avançando as composições para a indicação dos gestores que darão a cara a várias pastas, incluindo a Cultura, pela qual responde a Fundação José Augusto no organograma atual.

Nos bastidores, além de uma ou outra discussão paralela, em geral virtual, pra variar, nenhuma discussão mais consistente sobre o assunto. O único que li a especular sobre foi o jornalista Sérgio Vilar, no blogue que assina. E fez bem ao levantar o tema, que não foi além dos comentários. Nenhuma mobilização mais articulada, que mostrasse o quanto o setor cultural progrediu em se fazer representar perante essa estrutura burocrática a que também temos que fazer frente, se tratamos de política pública.

O Fórum Potiguar de Cultura fez um esforço no sentido de construir um documento que chegou a ser entregue às candidaturas, divulgado na mídia, com as diretrizes básicas elencadas pelos agentes culturais, resultante do IV FPC, encontro estadual realizado em agosto. Mas não teve ainda a oportunidade de reforçar o seu papel diante da dialética básica que deve ser estabelecida por um governo que se perfila à esquerda e se elegeu com um discurso democrata.

Diante do caos a que fomos jogados pelas sucessivas administrações, estamos em sérias dificuldades: as ruas da cidade estão escuras, os pontos de ônibus, apagados, a lama fede correndo pelos esgotos, às vezes misturada à sangue. Mas não devemos nos desligar do cuidado que devemos manter com o campo do simbólico, do artístico, do estético, tão aparentemente irrelevante mas ao mesmo tempo tão decisivo, sabemos. É justo através dele que saltamos sobre o obscuro, sobrevivendo com dignidade e decência às intempéries da vida, tais quais as que estão postas no nosso caminho já a partir de 28 de outubro.

Nisso, torna-se óbvio a demanda que consta nas primeiras reivindicações, desde sempre, que é a Secretaria. E para além dela, do seu orçamento e de sua estrutura, que esta seja capitaneada por um gestor plenamente capacitado, empoderado pelo executivo, prioritariamente a partir de uma indicação dos próprios fazedores de cultura e não de conchavos nos gabinetes, onde sempre se corre o risco de uma negociata truculenta e sem sintonia com as necessidades reais dos que são diretamente afetados por tal escolha. Sim, pois assim se faz num programa que leve em consideração a participação ativa dos verdadeiros responsáveis por um mandato eletivo, que é ao fim o povo.

Temos que ir além desse conformismo de que, ganhas as eleições, a equipe seja montada a partir de uma coalizão de forças, que em geral mais parece uma colisão de forças. O novo é que nós mesmos nos mobilizemos e aprendamos a construir e a usufruir do direito que temos de reivindicar para nossos campos os nomes que tenhamos identificado como potenciais gestores de nossas áreas, nossas demandas, nossos projetos, nossos pensamentos. Ao menos levar em conta uma prática que temos que exercer, por direito, e não apenas por retórica vazia.

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NOITE ETERNA …

27 outubro, 2018

Esso (P Cult Pium)

Noite eterna
Sou teu vigilante
Pode inscrever meu nome
Com força nessa terra dura

Noite eterna
Sopra a sua brisa
A manhã já se levanta
Aurora se rende ao sol

Vem!!

 

 

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AGOSTOS (Cordel)

16 agosto, 2018

para Antônio Francisco

Plínio vê o mar, vai ao monte
Mira as colinas com poesia
Um dia vai à feira, compra ostras
E as come cruas antes de pedalar
Já na praia, velando uma onda lunar
Fez um movimento que abalou a bala
Recitando seu cordel no beco da lama

Júlio empunha a sua viola nervosa
E berra seus versos como um bode
Quem não pode não se sacode
Ou haverá sempre música no ar
Na terra, nos livros, dos céus ao mar
Amar não é um mal tão normal assim
Que a gente sequer dê conta de notar

Israel se indispôs com o arroz
Mas tomou um chá de cogumelo
Confundiu o seu par de chinelo
Com dois sacos de pão de canil
Volta e meia ele faz um retrato
E publica nas mídias sociais
Como fazem todos demais

Já Cauê fugiu pra Paraty
Se sumiu na floresta pantanosa
Despetalou o cabaço de uma rosa
E espinhou no seu peito dois tatus
Mais ou menos umas três horas depois
Nós soubemos através do prefixo local
Que ele já estava chegando em Natal

Não esqueçamos Heitor, nem o Samir, nem o Wal
Tem também toda a família Amaral, Airene, Nicolau
Aldin, Luluca, Poroca, uma filha do seu Joca, que sempre lê meu jornal
Uma comadre em Santos que vale mais que um butim enterrado no quintal
Quem tiver perdido o fim da história, não vai ter reprise no Jornal Nacional

 

 

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MÃOS À OBRA!!

7 agosto, 2018

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Abertura IV FPC (Aluizio Matias, Esso Alencar, Lau Siqueira, Fernanda Matos e Amaury)

Amaury Jr, pelos indicadores, vem se mostrando um gestor muito bem intencionado. A cada novo ato de ofício que ele divulga nas mídias sociais lhes soam loas, aplausos, elogios. Nunca uma crítica.

Minto. Rodrigo Bico jogou pra geral o caráter das ações do fim dessa administração desastrada, que já empossou em 3 anos e meio quatro gestores, sendo ele um deles, tal o tamanho do caso, caso sério, dessa fundação que conduz o programa cultural para as artes em nosso estado.

No encontro que o FPC (Fórum Potiguar de Cultura) promoveu no fim da semana passada, quando a FJA (Fundação José Augusto) estava incluída como convidada entre os representantes das secretarias da PB e PE, foi possível muito claramente identificar a tamanha diferença de atenção que o tema recebe entre nossos vizinhos. E até mesmo deixar explícito para quem quiser ver, as falhas enormes, as lacunas, a falta de planejamento, o prejuízo deixado pelos desgastes políticos que se sucederam durante esse mandato de governo.

Tão dramática é a situação da FJA como instituição, que às vezes somos forçados a pensar que só uma reforma radical consiga sanar os vícios impostos a ela, sendo o cabide de empregos seguramente o mais imoral.

Talvez a criação de uma secretaria, que passe a operar em sua função, adequada já aos moldes do SNC – Sistema Nacional de Cultura, seja uma alternativa viável, enquanto relega à fundação a missão de cumprir com mais rigor e acerto alguns papéis, como o de cuidar dos patrimônios públicos, por exemplo, deixando a condução de uma política para um novo órgão, mais capacitado e eficiente.

Porque isso ela, definitivamente, não faz.
Não no momento.

Tudo o que está sendo executado se deve ao fato de que Amaury é um produtor competente, ninguém nega, mas as ações desse fim de ano, no último semestre, são meramente midiáticas. Também ninguém há de negar. Porque se não assumirmos e expusermos essa fragilidade, (também) não teremos nunca condições para buscar e apontar soluções plausíveis para essa nossa realidade tosca.

Nos debates do fórum ficou patente o crescimento dos investimentos e ações na PB, que só teve a sua secretaria criada há pouco. Se formos comparar com o estado de PE, aí nem tem graça, pois nos pulverizamos diante do que eles fazem por lá. E não se engane de que se trata apenas de montantes, de orçamento. Não. No caso, entram outras questões bem fundamentais, além da grana: corpo técnico qualificado e gestão capacitada são imprescindíveis.

Além do mais, aqui, onde 80% do orçamento é usado para pagar a folha, e onde só os restantes 20% destinam-se às ações culturais, ressalta-se por demais a contraditoriedade desse investimento. De 40 milhões, 32 pagam a folha, ficando 8 para o que der e vier.

Impõe-se, portanto, que o movimento organizado que o FPC representa, e todas as outras instâncias respeitáveis, se juntem para debater nesse momento um novo rumo para essa situação que, todos sabemos, é demasiado frágil. Por essa razão, precisa ser debatida publicamente e nós iremos propor esse encaminhamento, ao menos no que diz respeito ao FEC, o Fundo Estadual de Cultura. Nem mesmo o orçamento do fundo, já regulamentado e destinado ao setor, vem sendo executado.

Pois que ao menos saibamos para onde está sendo enviado. Além disso, que o estado se comprometa com sua responsabilidade social, na nossa área, nos garantindo o uso do recurso, como exige a lei.

Não se combate a violência apenas com o emprego de batalhões de soldados. A arte também dispõe de seus pelotões de operários, que usa suas técnicas para construir pontes para a vida, e não para sacrificar nossa população, a mais jovem, alvejada nas estatísticas da morte.

Façamos agora, e em conjunto, o esforço para elaborar nossas contribuições a uma iminente mudança nos objetos e objetivos da cultura artística potiguar. Estamos muito, muito atrasados. Muito atrasados. E temos que evoluir, significativamente. Com mais competência, mais responsabilidade, mais sensibilidade, e até um pouco daquela boa dose de amor, de que falou o poeta.

Mãos à obra!!

 

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Roteiro Musical Diário

12 julho, 2018

logo RMD

Já desde o início de abril venho realizando um trabalho a que estou chamando Roteiro Musical Diário. Trata-se de um blogue onde estou divulgando preferencialmente a agenda dos músicos potiguares nos palcos, ou os lançamentos e apresentações destes músicos, seja em terras potiguares ou não.

Embora as informações sejam sempre muito básicas, normalmente a postagem original apresenta ao menos um linque para maiores informações, através do qual o interessado poderá ter acesso a mais detalhes acerca do evento ou do artista. Tal é o propósito.

Estou há muito tempo empenhado em contribuir com a divulgação de nossa produção musical. Em 1996 fiz uma primeira experiência no Jornal de Natal, a convite de Marize Castro e Paulo Augusto, no Caderno de Encartes. Era o início da coluna A Cena, que depois passei a publicar no Jornal de Hoje, primeiro sob a editoria cultural de Eliade Pimentel e depois do Ailton Medeiros, indo até meados de 2002. Estou vendo como poderei digitalizar esse acervo e disponibilizar aqui, o mais breve que der.

Há cerca de uns dez anos venho coletando informações e entrevistas acerca de nossa cena musical, especialmente a roqueira, com o fim de publicar um livro a respeito dessa história que temos. É um projeto que requer muitos recursos, principalmente humanos e financeiros, e tem sido bem difícil de conduzir, por diversos fatores, mas a empreitada está de pé e é um sonho do qual não quero me afastar.

Em 2016 fiz um primeiro balão de ensaio do Roteiro, durante o mês de julho. E agora, há 3 meses e meio venho publicando diariamente a coluna. Nesse meio tempo fui vendo como seria mais apropriado dividir com a internete essas informações e disponibilizei uma página em 2 mídias sociais, que são as seguintes:
https://www.facebook.com/roteiromusicaldiario/
https://twitter.com/DiarioRoteiro

Ainda estou aprendendo a manejar no Instagram, mas também é possível que o roteiro também passe a circular por lá. Aliás, parcerias são bem vindas para que em conjunto possamos participar desse esforço no sentido de ampliar o alcance do que fazemos musicalmente aqui na terra de Poti, e além daqui.

Ficaria ainda muito felicitado se músicos, produtores e admiradores dos artistas enviassem dicas de agenda para enriquecermos o conteúdo dessa programação. Posso receber os pitacos através do meu correio (acena@bol.com.br) ou de qualquer outra maneira possível, inclusive pessoalmente. A prioridade é que seja música autoral, mas não há qualquer restrição de gênero, absolutamente. Nem que seja apenas shows ou apresentações com músicas próprias, pois isso ainda é uma parcela muito pequena do que rola na noite. Basta que seja trabalho: teatros, auditórios, bares, restaurantes, espetinhos, rua … tudo tá dentro.

Certamente, a minha confiança é a de que estou fazendo um registro histórico que poderá ser muito útil no futuro, pelo menos enquanto esses dados forem mantidos. Ou enquanto eu conseguir manter a atividade. Espero que por um longo tempo.
Ah, e isso vale para todo o estado e não apenas para a região metropolitana.

 

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FOCO no FEC

2 julho, 2018

capa cartilha

O RN possui um recurso destinado por lei ao financiamento direto da Cultura. Trata-se do FEC, o Fundo Estadual de Cultura, aprovado pela Assembleia Legislativa em fins de 2011, mais precisamente no dia 29 de dezembro. É importante citar a data para lembrarmos que o projeto foi propositadamente apresentado pelo executivo no apagar das luzes daquele ano, o que provocou uma polêmica e a natural reação do setor cultural, que mesmo tendo reagido e proposto emendas, pouco pode fazer a respeito de quaisquer alterações.

Mas a lei existe e foi regulamentada. E, portanto, nós temos um fundo. É certo. O que não deu certo até agora foi o seu uso apropriado, como tantas outras leis que a sociedade não fiscaliza e é usurpada pelo próprio poder. No caso, nos primeiros anos, sob a tutoria de uma secretaria extraordinária, esta aberração da administração Rosalba Ciarlini (2011-2014), ainda tentamos acompanhar com determinado empenho a aplicação dos recursos, mas com o passar dos anos não conseguimos dar conta de monitorar um instrumento que desde o começo foi pensado para nos driblar. Basta que lembremos que o texto da referida lei foi burilado no frio dos gabinetes e sem a menor intenção de contar com a contribuição do segmento e muito menos de construir uma política pública séria e participativa para o estado.

Tanto tem sido assim que o FEC acabou por se desvirtuar completamente do seu objetivo, sem acompanhamento da sociedade civil, sem cobrança da imprensa e, infelizmente, sem cumprir com a sua finalidade tal qual deveria. O Fundo é composto de uma receita principal de meio por cento (0,5%) do recolhimento do ICMS, o que deu em 2017 a bagatela de aproximadamente 28 milhões de reais. Que, simplesmente, estão aplicando de uma forma estranha ou sem nenhum absoluto acompanhamento por parte de nós interessados.

Está lá, na mesma lei e em sua regulamentação todos os mecanismos de controle e acompanhamento, mas nós ainda não aprendemos a fazer uso deles. A comissão gestora é composta de 9 membros e nós temos direito a eleger 4 destes. Há também uma comissão de controle onde temos um assento. Ainda chegamos a eleger e indicar esse integrante, mas com o passar do tempo não demos conta de manter com regularidade um representante nessa comissão.

Isso mostra que são muitas as nossas falhas, nossa falta de informação, nossa luta real por uma causa justa (ao menos uma!) a que poderemos nos apegar para mostrar que não estamos tão apáticos ou tão despreparados quando se trata de exigir nossos direitos. Direitos que estão garantidos internacionalmente através de convenção da Unesco, direitos que estão escritos na lei brasileira pelo Sistema Nacional de Cultura, e enfim assegurados através de leis que construímos aqui também. Nos resta a responsabilidade e a habilidade para que façamos valer estas letras.

O encontro do FPC, o 4º em 7 anos de sua existência, retoma em sua pauta a necessária rediscussão a respeito desse tema específico: o FEC, suas atribuições e o cumprimento do que está escrito, pois por mais críticas que mereça esta lei estabelece que 30% dos recursos devem ser investidos através de editais públicos e em políticas formuladas a partir de uma demanda dos próprios segmentos, por eles empoderados e representados nas comissões gestora e de controle.

Mais do que qualquer discussão o maior desafio do fórum para além desse encontro em agosto é se constituir de forma mais robusta como uma instituição que dê conta de cumprir com o seu papel de ser um elo entre a sociedade civil organizada e as instâncias de poder, especialmente o legislativo, para onde deve convergir seu foco nesse momento de articulação. Avançar na mobilização contínua dos segmentos artísticos para o crescente fortalecimento da representação dos agentes culturais, contribuindo eficazmente – propositivamente – na edificação de uma política pública que ultrapasse a fronteira metropolitana e desenvolva suas ações nas outras regiões do estado também, alcançando o seridó, o agreste, o alto oeste etc.

Para tanto está lançada a convocatória para este IVº Encontro do Fórum Potiguar de Cultura, nos dias 02 e 03 de agosto, no TCP, com uma programação já definida e que terá como foco o FEC e o cumprimento de sua execução, e que naturalmente deverá sair com um documento oficial a ser apresentado como resultado do seu esforço no sentido de edificar pilares mais sólidos na busca por uma atuação conjunta de todas as forças que trabalham sempre por um mundo mais justo e melhor.

Esso Alencar
comissão executiva FPC

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